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Com previsão de queda nesta quarta, satélite da Nasa pode passar pela América do Sul

Observatório de 1,5 tonelada deve se desintegrar durante a reentrada na atmosfera; agência estima em 1 em 2.100 a possibilidade de alguém ser ferido por fragmentos

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Com previsão de queda nesta quarta, satélite da Nasa pode passar pela América do Sul
Ilustração do telescópio espacial Neil Gehrels Swift em órbita da Terra NASA/Goddard Space Flight Center Conceptual Image Lab

O Observatório Neil Gehrels Swift, telescópio espacial da Nasa lançado em 2004, deve reentrar na atmosfera terrestre nesta quarta-feira (4), após mais de duas décadas de operação. O equipamento, que pesa aproximadamente 1,5 tonelada, deve se desintegrar quase completamente durante a queda, embora alguns fragmentos possam alcançar a superfície.

Segundo a Nasa, a probabilidade de uma pessoa ser ferida pelos destroços é de aproximadamente 1 em 2.100. A trajetória prevista para o satélite inclui regiões da África, Ásia, Austrália, América Central e América do Sul. Estados Unidos e Europa estão fora da área estimada de risco.

A Aerospace Corporation, organização de pesquisa sem fins lucrativos, divulgou na noite de terça-feira (3) uma previsão de reentrada para as 7h19 desta quarta-feira, no horário de Brasília, com margem de erro de duas horas antes ou depois do horário indicado. Até a divulgação das informações, a Nasa ainda não havia confirmado a queda.

Missão de pesquisa

Avaliado em US$ 500 milhões, o Swift foi desenvolvido para estudar explosões de raios gama, fenômenos que liberam enormes quantidades de energia no universo. O observatório utilizava três telescópios para acompanhar essas emissões e outros eventos cósmicos.

Inicialmente projetada para durar apenas dois anos, a missão permaneceu ativa por mais de duas décadas. Nesse período, o telescópio detectou e acompanhou mais de 2.000 explosões de raios gama, consideradas os eventos mais energéticos observados desde o Big Bang.

O equipamento não possui sistema próprio de propulsão, o que impede a realização de manobras para corrigir sua altitude. Nos últimos meses, a perda gradual de altura tornou inevitável sua aproximação da atmosfera terrestre.

Resgate sem sucesso

Na tentativa de prolongar a vida útil do observatório, a Nasa firmou uma parceria com a empresa Katalyst, sediada no Arizona, para desenvolver uma operação de resgate espacial.

Em julho, foi lançada a nave LINK, projetada para alcançar o Swift, acoplar-se ao telescópio e transportá-lo até uma órbita mais elevada e estável.

A operação, entretanto, não avançou como previsto. A LINK começou a girar de maneira descontrolada pouco depois de chegar ao espaço, impedindo a aproximação necessária para o resgate.

Em meados de agosto, os responsáveis encerraram a tentativa. Sem possibilidade de recuperar altitude, o observatório continuou sua trajetória de aproximação da Terra.

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