‘Cidade de Deus: A Luta Não Para’: elenco revela conflitos na 2ª temporada
A segunda temporada de Cidade de Deus: A Luta Não Para amplia os conflitos da comunidade e coloca a política no centro de uma disputa que envolve poder, corrupção, vingança e interesses pessoais. Além da violência que marca a história, os novos episódios aprofundam as contradições dos personagens e mostram como diferentes grupos tentam conquistar espaço e influência.
Em entrevista à Jovem Pan, Andreia Horta, Victor Andrade, Roberta Rodrigues e Kiko Marques comentaram as transformações de seus personagens e os dilemas que movimentam a nova fase da produção.
Jerusa: justiça ou vingança?
Interpretada por Andreia Horta, Jerusa é uma das figuras mais controversas da trama. Mesmo trabalhando ao lado da Justiça, a personagem ultrapassa limites e passa a agir de acordo com os próprios interesses, provocando consequências graves para moradores da comunidade.
A atriz explicou que sua principal preocupação ao construir a personagem foi não julgá-la, mesmo diante de atitudes extremas.
“Uma condição para entrar em personagem é não julgar. Então, para fazer a Jerusa, isso é levado às últimas consequências. O máximo que eu tento é que ela não tenha nenhum carisma, que ela não seja nem um pouco legal, que ela seja mesmo uma alma sebosa”, afirmou.
Andreia também questionou se as atitudes da personagem podem realmente ser consideradas justiça, já que suas operações provocam mortes e atingem pessoas inocentes.
“Nem sei se dá para chamar de justiça o que ela faz, porque, por não medir as consequências, ela afeta muitas pessoas. Ela invade, ela mata, só que essas invasões muitas vezes têm como consequência chacinas. Muitas pessoas inocentes morrem, muitas pessoas inocentes saem feridas. É uma vingança onde ela perde a mão”, explicou.
Para a atriz, Jerusa representa uma pessoa que age sem limites éticos e que, em determinados momentos, parece simplesmente funcionar como uma agente do caos.
Berenice descobre os bastidores do poder
Já Berenice, vivida por Roberta Rodrigues, ganha espaço na política e descobre que conquistar influência é apenas o começo de uma disputa muito maior. A personagem percebe que as relações de poder funcionam de maneira diferente da dinâmica que conhece dentro da comunidade.
“Ela realmente descobre que o buraco é muito mais embaixo do que ela esperava. Você convive ali na comunidade, sabe como funciona, sabe que, mesmo com os traficantes, se você deu o papo reto, se falou certo, vai ser escutado. Só que na política, não. Você não sabe quem está do seu lado, quem não está”, contou.
A atriz compara a política a um grande tabuleiro de xadrez, no qual cada movimento precisa ser calculado. A ascensão de Berenice também traz consequências emocionais e pessoais.
“É um grande jogo. A Berenice entende que vai ser um grande tabuleiro de xadrez e que precisa arquitetar os próximos passos. E, com isso, vai sofrer muitas consequências, que são os bônus e os ônus de ter a escolha do poder”, afirmou.
Entre os momentos mais difíceis da personagem está a descoberta de uma traição envolvendo alguém com quem imaginava construir uma vida.
“Esse é um dos momentos que mais fragilizam a Berenice nessa segunda temporada. Eu acho que ela não esperava. Por ter que estar o tempo todo forte, isso deixa ela meio sem saber como agir. Ela fica meio perdida. Acho que é a primeira vez que a Berenice balança, mas não cai”, revelou Roberta.
Geninho vive conflito entre o próprio caminho e o legado do pai
Victor Andrade também falou sobre Geninho e a dificuldade do personagem em encontrar sua própria identidade diante do legado familiar que carrega.
Para o ator, essa é uma das principais questões que movimentam o personagem: entender se suas atitudes representam escolhas individuais ou uma tentativa de honrar a história do pai.
“Eu acho que, no meu ponto de vista, o Geninho é alguém tentando entender exatamente essa pergunta: se ele quer honrar o pai, o seu legado, ou se quer se provar. Eu acho que ele vive o tempo todo em conflito com isso”, explicou.
Victor acredita que essa divisão acompanha o personagem em diferentes situações.
“É tipo: ‘Eu faço isso aqui porque sou ou porque quero provar algo a alguém?’. Essa é a minha forma de ver o Geninho. Sempre muito dividido entre ‘isso aqui sou eu’ e ‘isso aqui é o que eu acho que tem que ser pelo que foi meu pai’”, completou.
Cabeção mostra um lado inesperado
Kiko Marques, intérprete de Cabeção, adiantou que o público poderá enxergar uma característica inesperada no personagem. Conhecido pela falta de empatia e pela maneira como trata as pessoas ao seu redor, ele pode revelar uma faceta mais humana.
O ator destacou principalmente a relação de Cabeção com o filho, marcada por cobranças e julgamentos constantes.
“Ele é um sujeito que não tem empatia. Isso fica claro na relação dele com o filho, uma relação sempre dizendo se está certo ou errado. Em determinado momento, a gente vai perceber, e foi um choque que eu tive também, que surge alguma coisa de empatia”, contou.
Segundo Kiko, esse momento permite enxergar um ser humano por trás de alguém que parece funcionar apenas pela lógica de conquistar e destruir em benefício próprio.
Política é o grande tema da temporada
Ao falar sobre o principal assunto que atravessa os novos episódios, o elenco destacou a união como uma das forças que movimentam a história. A política aparece como um território de disputa tanto para quem luta por interesses coletivos quanto para aqueles que buscam benefícios individuais.
“A união faz a força. Para os dois lados. Porque tanto do lado de lá, me refiro à luta de um coletivo em prol de um coletivo, quanto do lado de cá, de pessoas, indivíduos querendo se dar bem, roubando, articulando, matando, sendo violentos, mas também se unindo”, refletiu um dos atores.
A política, portanto, funciona como ponto de encontro entre grupos com objetivos completamente diferentes: enquanto alguns buscam transformar a realidade da comunidade, outros enxergam o poder como oportunidade de enriquecimento e controle.
Com personagens cada vez mais complexos, Cidade de Deus: A Luta Não Para amplia o debate sobre as relações entre criminalidade e política. Na segunda temporada, a disputa não acontece apenas pelo território, mas também pelo poder de decidir os rumos de toda uma comunidade.
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