De feiras do agro a marchas gospel, Flávio avança em palanque presidencial
O senador Flávio Bolsonaro (PL) tem estruturado nos últimos dias uma agenda de pré-candidatura à Presidência com dois focos simultâneos: o agronegócio e o eleitorado evangélico. Nesta terça-feira (9), o parlamentar cumpre compromisso em Luiz Eduardo Magalhães, na Bahia, onde participa de feira do setor para dialogar com lideranças ruralistas.
Mas é no campo religioso que Flávio tem colhido dividendos políticos relevantes. Na última quinta-feira (4), o senador marcou presença na Marcha para Jesus, em São Paulo, ao lado do governador Ronaldo Caiado (PSD), também pré-candidato ao Palácio do Planalto. O evento reuniu milhares de fiéis e se tornou, na prática, um palanque disputado pelos presidenciáveis da direita.
Flávio subiu ao palco envolto na bandeira de Israel, pediu orações pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e prometeu que o Brasil “vai voltar a ser uma nação irmã de Israel”. Cantou o “Hino da Vitória”, da cantora gospel Cassiane, e encerrou o discurso com o slogan que marcou os governos do pai: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
Em trio elétrico, o senador foi além e invocou o vocabulário da guerra espiritual. “Essa guerra é espiritual, e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso desse governo do Brasil este ano. Em nome do senhor Jesus, amém”, declarou.
Ainda em São Paulo, Flávio confirmou presença na próxima edição da Marcha para Jesus, marcada para 20 de junho em Cuiabá, no Mato Grosso. O anúncio pegou de surpresa até aliados próximos, que desconheciam a agenda do presidenciável no estado.
Nos bastidores, lideranças evangélicas ouvidas sob reserva avaliam a movimentação de Flávio no segmento como estratégica, mas com uma leitura precisa: o público evangélico tem resistência maior a declarar apoio a nomes associados a escândalos de corrupção. Para esse grupo, a presença constante em eventos religiosos é também uma tentativa de blindagem moral diante das investigações que cercam a família Bolsonaro.
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