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PF deflagra nova fase contra fraudes nas Americanas e bloqueia até R$ 54 bi

Segunda fase da Operação Disclosure investiga crimes de manipulação de mercado e associação criminosa no Rio de Janeiro e em São Paulo

Nícolas Robert e Rodrigo Viga

Americanas
Lojas Americanas GESIVAL NOGUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram, nesta quinta-feira (25), a segunda fase da Operação Disclosure. A ação cumpre nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre fraudes contábeis na rede Americanas. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.

As investigações apontam que os suspeitos tinham conhecimento de fraudes praticadas ao longo de anos. As irregularidades envolvem operações de “risco sacado”, em que a loja antecipava pagamentos a fornecedores por meio de empréstimos bancários, e contratos de Verba de Propaganda Cooperada (VPC). Segundo a PF, esses incentivos comerciais eram contabilizados sem que houvesse lastro econômico real.

De acordo com as investigações, existem crimes de manipulação de mercado e associação criminosa. Esta nova etapa da operação busca coletar provas adicionais sobre a participação de envolvidos na estrutura financeira da companhia.

A Jovem Pan apurou que Paulo Lemann, filho de Jorge Lemann – ex-controlador das Americanas -, e Carlos Alberto Sicupira, acionista da empresa, são alvos da operação.

Entenda a operação

A primeira fase da Operação Disclosure ocorreu em junho de 2024. Naquele momento, foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra ex-diretores da Americanas. A Justiça também havia determinado o bloqueio de R$ 500 milhões em bens dos investigados naquela etapa.

De acordo com a PF, a atual diretoria da empresa colabora com o processo investigativo. O caso revelou que as fraudes consistiam na manipulação de dados para camuflar o endividamento real da empresa e inflar artificialmente os resultados financeiros apresentados ao mercado.

Em nota, as Lojas Americanas informaram que não foram alvo de mandados de busca nesta quarta-feira e disseram que a operação da PF faz referência à fraude revelada em 2023.

Ainda segundo o comunicado, a varejista relatou que seguirá colaborando com as investigações e que é a maior interessada no esclarecimento dos fatos.

A Jovem Pan entrou em contato com a defesa de Paulo Lemann e aguarda retorno. A Jovem Pan tenta localizar a defesa de Carlos Alberto Sicupira. O espaço está aberto para manifestação.