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Em evento com diplomatas, Flávio repete Bolsonaro e divulga dado falso sobre urna eletrônica

Em 2023, o TSE declarou o ex-presidente inelegível por 'abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação' durante reunião com embaixadores no Planalto

Júlia Mano e Matheus Alleoni

Flávio Bolsonaro em evento com diplomatas, em Brasília, na terça-feira (21)
Flávio destacou que a divulgação das informações falsas não era um 'questionamento ao sistema de votação brasileiro' Raul Spinassé/Novo Selo Comunicação

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), repetiu ação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em evento com diplomatas nesta terça-feira (21), em Brasília. Durante sua fala, o parlamentar divulgou dado falso sobre urna eletrônica.

Flávio discursou a diplomatas durante o evento “Debatendo o Brasil”, promovido pela Novo Selo Comunicação em parceria com The Brazilian Report. O senador citou a recente divulgação de documentos da CIA, o serviço secreto dos Estados Unidos, pelo governo norte-americano. Os relatórios de inteligência indicaram uma suposta capacidade de manipulação dos sistemas eletrônicos de votação na Venezuela.

Aos diplomatas, Flávio afirmou que a programação das urnas eletrônicas utilizadas na Venezuela teria sido modificada para que os votos do pleito de 2012 fossem alterados. A empresa Smartmatic fornece os equipamentos para a eleição no país sul-americano.

“Só para deixar registrado que muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma origem dessa empresa venezuelana”, disse o senador. Entretanto, a companhia não fornece equipamentos para o pleito realizado no Brasil.

Na sequência, o parlamentar destacou que não estava “questionando o sistema de votação brasileiro”. Flávio ainda pediu o envio de observadores internacionais para acompanhar as eleições de outubro no Brasil.

Anteriormente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desmentiu a informação. Em nota divulgada em novembro de 2020, a Corte informou ter “celebrado contratos” com a Smartmatic só para “prestação de serviços de conexão de dados e voz”.

O TSE disse também que a empresa venezuelana participou de licitação para fabricação de urnas eletrônicas, mas perdeu para a Positivo. A Corte ainda relatou que os equipamentos utilizados no pleito brasileiro foram projetados por servidores e técnicos “a serviço da Justiça Eleitoral”.

“Em mais de 20 anos de trajetória, o sistema foi reiteradamente testado e comprovadamente isento de quaisquer formas de manipulação, de fraude na totalização de votos ou de quebra do sigilo do voto”, afirmou o TSE.

Em nota enviada à Jovem Pan, Flávio disse que a sua fala “não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro”. O senador acrescentou que o “convite” feito para observadores internacionais acompanharem o pleito “segue uma prática adotada em diversas democracias”. Leia a íntegra abaixo.

Bolsonaro inelegível

Durante reunião com embaixadores, em julho de 2022, o ex-presidente fez diversos ataques ao sistema eleitoral sem provas. O encontro foi transmitido pela TV Brasil.

Em junho de 2023, o TSE declarou Bolsonaro inelegível por oito anos. Com placar de 5 a 2, a Corte reconheceu a prática de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante a reunião com os embaixadores.

Leia a íntegra da nota de Flávio Bolsonaro

“O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro. O convite para a presença de observadores internacionais segue uma prática adotada em diversas democracias e reforça a transparência no sistema eleitoral”.