Na largada da campanha, Lula aposta em exaltar mandatos; Flávio resgata pautas tradicionais da direita
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) deram início neste domingo (16) às campanhas para a Presidência da República com discursos marcados por críticas ao adversário e pela defesa de propostas distintas para o país. Enquanto o petista apostou em um tom nostálgico, relembrando a trajetória como líder sindical e feitos de seus governos, o senador retomou pautas tradicionais do bolsonarismo e elevou o tom contra o atual presidente.
Em São Bernardo do Campo, no estádio 1º de Maio, Lula relembrou os tempos em que liderava os metalúrgicos da região e afirmou ter sentido uma emoção ainda maior do que em 1979, quando discursou no mesmo local para sindicalistas. O presidente também recordou a greve de 41 dias dos metalúrgicos, em 1980, e episódios de sua trajetória pessoal, como a morte da mãe e o período em que não pôde acompanhar o enterro do irmão, em 2019.
Durante o discurso, Lula afirmou que poderia mentir para “qualquer um, de qualquer país”, mas não para seus eleitores. O petista também direcionou críticas à direita brasileira, a quem atribuiu responsabilidade por 400 mil mortes durante a pandemia de Covid. Segundo Lula, enquanto seu governo criou dez milhões de empregos, o governo anterior teria criado apenas dois.
Na área de segurança, o presidente prometeu prender os grandes líderes do crime organizado e defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública. Também falou sobre a transposição do Rio São Francisco, educação e terras raras, afirmando que o Brasil precisa industrializar esses recursos em vez de exportá-los em estado bruto.
Flávio, por outro lado, fez seu primeiro ato de campanha sob o slogan “O Brasil vai vencer” e retomou pautas associadas ao chamado “bolsonarismo raiz”. O senador defendeu a castração química para estupradores e a redução da maioridade penal, além de falar sobre a escolha de ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao abordar a segurança pública, Flávio afirmou que o governo Lula não combate os ladrões e prometeu classificar organizações criminosas como o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O candidato também criticou a situação econômica, dizendo que a classe média foi enganada pelo presidente e que “não tem como pagar mais prestações”.
Flávio ainda acusou Lula de aumentar impostos e os preços dos produtos de consumo e mencionou o escândalo envolvendo descontos indevidos do INSS, afirmando que o caso “chegou no gabinete de Lula”.
Os dois candidatos também fizeram referências diretas ao adversário ao longo dos discursos. Lula voltou suas críticas à direita e ao governo anterior, enquanto Flávio concentrou os ataques no atual presidente e apresentou propostas ligadas principalmente à segurança pública e à atuação do Estado.
Os eventos também tiveram características diferentes. Em São Bernardo, Lula foi acompanhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, pela primeira-dama Janja da Silva e pelo candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad. O evento contou ainda com a participação de sindicalistas e da cantora Fafá de Belém, que cantou o Hino Nacional.
No ato de Flávio, o candidato reforçou a identidade política ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro e recuperou pautas tradicionais do bolsonarismo. Ao fazer uma analogia com o futebol, afirmou ser “difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé”, em referência à comparação entre sua candidatura e a trajetória política de seu pai.