JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Tempo Real | 14h00 - 16h00
Beatriz Manfredini

Aliados querem discurso mais humano para Tarcísio

Avaliação é que temas como violência contra mulher e segurança pública precisam ser tratados com menos indicadores

Beatriz Manfredini

O candidato à reeleição ao governo do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) da início a sua campanha eleitoral participando de um encontro com mulheres em Osasco na Grande São Paulo neste domingo (16)
O candidato à reeleição ao governo do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) da início a sua campanha eleitoral participando de um encontro com mulheres em Osasco na Grande São Paulo neste domingo (16) ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendem uma mudança no tom adotado pelo candidato à reeleição em próximos discursos, entrevistas e debates. A avaliação é de que Tarcísio já demonstrou domínio sobre os problemas do Estado e capacidade para apresentar dados e números, mas precisa aproximar o discurso do cotidiano dos eleitores.

A orientação é reduzir a tecnicidade e explorar temas com maior conexão com a vida da população. A campanha também prepara novos dados e respostas para assuntos que, na avaliação interna, poderiam ter sido melhor aproveitados no primeiro debate contra Fernando Haddad (PT) na TV Band, por exemplo.

Segundo um aliado, Tarcísio precisa apresentar menos números e demonstrar mais o que chamou de sua “honestidade de propósito”, em referência à disposição de promover mudanças efetivas na sociedade.

A mudança já começou a acontecer. Em uma sabatina promovida pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp) e pela Fesaúde, na capital paulista, na tarde de segunda-feira (17), Tarcísio discursava sobre segurança pública quando disse que “essa melhora [de diminuição de roubos e furtos] não é percebida, ela demora para ser percebida. E não adianta eu ficar aqui falando de indicador”.

Os temas citados internamente como de possíveis mudanças falam justamente sobre a segurança de maneira geral. Um deles é a violência contra a mulher e os casos de feminicídio.

Aliados avaliam que Tarcísio poderia ter utilizado a discussão para explicar a redução da subnotificação, atribuída internamente ao maior acolhimento e atendimento às mulheres e familiares e ao reconhecimento mais claro dos casos.

Já na segurança pública como um todo, a campanha prepara dados para rebater pontos trazidos pelo plano de governo petista. Um dos principais alvos será a proposta de Haddad de adotar câmeras corporais com gravação contínua durante todo o turno dos policiais, sem depender do acionamento do agente. A equipe de Tarcísio levantou que a mudança elevaria o custo anual da medida em 540%, fora o investimento em um novo data center para armazenar o volume de dados produzido pelas câmeras se a gravação fosse contínua.

Outro ponto do plano de Haddad que será rebatido pela campanha de Tarcísio é a criação do registro de boletim de ocorrência pelo WhatsApp. A preocupação levantada pela equipe de Tarcísio é que a ferramenta possa abrir espaço para golpes e perfis falsos que se passem pela polícia para obter dados das vítimas.

Também foi considerado um erro foi a ausência de ataques mais diretos ao candidato Haddad. Na avaliação de aliados, Tarcísio poderia ter explorado questões mais próximas do eleitor, como o poder de compra nos supermercados, para questionar o adversário e ex-ministro da Fazenda.

O entendimento interno é de que ainda há ajustes a serem feitos entre o discurso produzido dentro do governo e a estratégia eleitoral de Tarcísio para os próximos passos.