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Bruno Pinheiro

CPMI sobre Lulinha esbarra no calendário eleitoral e deve ficar para próxima legislatura

Parlamentares ouvidos pela Jovem Pan defendem investigação, mas avaliam que calendário eleitoral dificulta avanço da comissão em 2026

Bruno Pinheiro

Fábio Luís Lula da Silva
Fábio Luís Lula da Silva Chile, Punta Arenas, 16/02/2008. Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) assiste palestra junto com os pais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Marisa Letícia, em Punta Arenas, antes de visita à Base Brasileira Comandante Ferraz, na Antártida. - Crédito:JUCA VARELLA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Codigo imagem:17157

Parlamentares ouvidos pela Jovem Pan defendem a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas avaliam que o calendário eleitoral deve dificultar a instalação e o funcionamento da comissão ainda em 2026.

A avaliação nos bastidores é que, com deputados e senadores mobilizados nas eleições até o fim de outubro, restaria pouco tempo para instalar uma comissão e desenvolver os trabalhos ainda nesta legislatura.

Apesar da dificuldade, fontes ouvidas pela reportagem afirmam que a movimentação em torno de uma CPMI pode produzir efeitos políticos mesmo sem a instalação neste ano. Uma das avaliações é que a defesa da investigação pode chegar às negociações para a composição das próximas Mesas Diretoras do Congresso.

O movimento ocorre em meio a novas informações sobre investigações envolvendo Lulinha. A Polícia Federal apontou em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal que o filho do presidente teria mantido uma “comunhão de interesses econômicos” com a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Fernando Bittar em tratativas relacionadas a negócios com o governo federal. A defesa de Lulinha nega irregularidades.

O nome do filho do presidente já havia chegado ao Congresso durante os trabalhos da CPMI do INSS. Em fevereiro, a comissão aprovou a quebra de sigilo de Lulinha, medida posteriormente anulada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, em razão do procedimento adotado na votação dos requerimentos.

Sucessão no Senado

A possibilidade de novas investigações parlamentares também começa a aparecer nas articulações para a sucessão no comando do Senado.

No campo da direita, pelo menos três nomes estão no radar da disputa: Carlos Viana (Podemos-MG), Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN).

Viana, que presidiu a CPMI do INSS, já declarou publicamente que pretende disputar a Presidência do Senado caso seja reeleito.

“Se reeleito senador, eu vou me colocar como presidente do Senado”, afirmou.

Na mesma declaração, Viana vinculou uma eventual chegada ao comando da Casa à abertura de novas investigações. O senador citou uma CPMI sobre o Banco Master, a retomada das apurações relacionadas ao INSS e uma comissão para investigar suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo recursos da saúde.

Tereza Cristina também aparece nas articulações para a sucessão do Senado. Rogério Marinho, por sua vez, é uma das principais lideranças da oposição na Casa e ocupa nesta eleição uma posição estratégica como coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

A composição do Senado que sairá das urnas em outubro será determinante para essa disputa. O resultado definirá a correlação de forças entre governo e oposição e quais grupos terão condições de construir maioria para eleger o próximo presidente da Casa.

Uma das fontes ouvidas pela Jovem Pan avalia que a pauta das CPMIs poderá, inclusive, ser utilizada nas negociações por votos para a próxima Mesa Diretora.

Nesse cenário, uma eventual CPMI sobre Lulinha pode ter dificuldade para sair do papel em 2026, mas permanecer como pauta para a próxima legislatura. Nos bastidores, parlamentares já relacionam a defesa de novas investigações à disputa pelo comando do Senado e às articulações que começarão após o resultado das urnas.

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