BC apontou indícios de que R$ 12,2 bi em créditos vendidos pelo Master ao BRB não existiam
O Banco Central encontrou fortes indícios de que R$ 12,2 bilhões em créditos vendidos pelo Banco Master ao BRB não existiam. A conclusão aparece nos documentos que deram origem à investigação da Operação Compliance Zero. A informação consta em documentos cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), após despacho de Edson Fachin, presidente da Corte.
As operações envolviam carteiras de empréstimos que o Master dizia ter adquirido e depois repassado ao banco público. Entre janeiro e maio de 2025, o BRB pagou R$ 6,7 bilhões pelos créditos e outros R$ 5,5 bilhões como prêmio, segundo os documentos.
Para verificar se os empréstimos eram reais, o Banco Central selecionou 30 clientes e procurou movimentações financeiras que comprovassem a liberação do dinheiro.
Em nenhum dos 30 casos foi possível relacionar os contratos vendidos ao BRB a um pagamento feito ao suposto tomador do empréstimo. O BC ressalvou que algumas transferências internas poderiam não aparecer nas bases consultadas, mas afirmou que conseguiu localizar a liberação do dinheiro em quase todas as operações que essas mesmas pessoas mantinham com outras instituições.
Outro sinal chamou a atenção dos técnicos. Em apenas quatro dias de janeiro de 2025, foram registradas 182 mil operações para 151 mil pessoas, mas os empréstimos estavam distribuídos em somente 12 valores diferentes em cada dia.
Para os investigadores, o padrão era incompatível com a concessão normal de empréstimos consignados, já que os valores costumam variar conforme renda, margem disponível e valor solicitado por cada cliente.
O Banco Central também verificou que grande parte das pessoas atribuídas às novas carteiras já aparecia em créditos vendidos anteriormente pelo próprio Master ao BRB. De 358.353 clientes analisados nas cessões feitas entre dezembro de 2024 e maio de 2025, 290.438 já haviam aparecido em operações anteriores.
Sigilo do caso Master
Os documentos vieram a público depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, mandou retirar o sigilo das investigações do Banco Master e dos processos ligados ao caso. Fachin também determinou que o material fosse enviado aos demais ministros antes do julgamento marcado para 15 de setembro.
André Mendonça, relator das investigações, atendeu ao despacho e liberou os documentos. O ministro também determinou o envio de uma cópia integral do material à Presidência do STF e aos demais integrantes da Corte.
A retirada do sigilo ocorre em meio à crise aberta no Supremo após relatórios da Polícia Federal citarem contatos de Daniel Vorcaro com integrantes da Corte, entre eles Alexandre de Moraes.
Mendonça chegou a afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Flávio Dino determinou a volta dos dois aos cargos. Fachin depois suspendeu as duas decisões, concentrou na Presidência do STF a análise dos processos relacionados ao caso e convocou os 11 ministros para discutir a investigação no plenário no dia 15.
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