Segurança do Master tentou barrar entrada da PF durante operação, diz relatório
A equipe de segurança do Banco Master tentou impedir a entrada da Polícia Federal na sede da instituição durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. Segundo relatório da própria PF, os agentes só tiveram acesso ao prédio depois de avisarem que poderiam entrar à força. A informação consta em documentos cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), após despacho de Edson Fachin, presidente da Corte.
De acordo com o documento, os seguranças alegaram inicialmente que não tinham autorização facial para liberar a entrada dos policiais. O delegado responsável classificou a situação como uma “tentativa de retardar o cumprimento da diligência”.
Depois de entrar no edifício, a equipe seguiu para o 13º andar e também encontrou dificuldades para acessar os dois principais escritórios. Os policiais conseguiram entrar por uma porta secundária e encontraram um dos ambientes completamente vazio. O outro era utilizado por Daniel Vorcaro.
O prédio tinha 13 andares de escritórios e cerca de 500 funcionários. No relatório, o delegado afirma considerar “altamente provável” que tenha ocorrido modificação ou apagamento de dados relevantes diante das dificuldades para preservar os elementos de prova. O documento, porém, não apresenta naquele trecho comprovação de que informações tenham sido efetivamente apagadas.
Durante a operação, a PF encontrou computadores, documentos, certificados de joias e cofres na área da tesouraria. Em um deles havia documentos; no outro, dinheiro, inclusive moeda estrangeira.
Sigilo do caso Master
Os documentos vieram a público depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, mandou retirar o sigilo das investigações do Banco Master e dos processos relacionados ao caso. André Mendonça, relator das apurações, cumpriu a determinação e liberou o material aos demais ministros.
A retirada do sigilo ocorre em meio à crise aberta no STF após relatórios da PF sobre Daniel Vorcaro atingirem integrantes da Corte. Mendonça chegou a afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Flávio Dino determinou a volta dos dois, e Fachin depois suspendeu as decisões, centralizou a análise dos processos na Presidência do Supremo e convocou o plenário para discutir o caso no dia 15.
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