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Toffoli seria o beneficiário de fundo que recebeu R$ 35 mi de Vorcaro, diz revista

Por meio de uma transação com a holding Egide I, os recursos teriam ido parar nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe

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Dias Toffoli
Dias Toffoli Rosinei Coutinho/SCO/STF

A PF suspeita que o ministro Dias Toffoli, do STF, é o beneficiário final ou o proprietário do Arleen, um fundo de investimento que recebeu R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master. A informação foi divulgada no final da noite de quinta-feira (10) pela revista Piauí.

Por meio de uma transação com a holding Egide I, os recursos teriam ido parar nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe.

O fundo Arleen era sócio do Tayayá, resort que pertence a Toffoli e sua família em Ribeirão Claro, no interior do Paraná. Segundo o relatório da Polícia Federal, o Arleen, que pertencia ao banqueiro, foi transferido para um empresário amigo do ministro do STF. Em seguida, de acordo com a revista, o fundo fez uma alteração em seu regulamento para permitir que fizesse investimentos no exterior e, meses depois, transferiu todos os seus ativos para o Egide I.

“Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos”Relatório da PF

Voto de Toffoli

De acordo com a PF, toda a operação para enviar recursos ao exterior deu-se ao longo do ano passado. Em fevereiro, o empresário Alberto Leite, amigo de Toffoli e dono da empresa de segurança FS Security, comprou o fundo Arleen. No mês seguinte, ele registrou a holding Egide I nas Ilhas Virgens Britânicas e alterou o regulamento do Arleen para autorizar investimentos no exterior. Em novembro daquele ano, o Arleen começou a se desfazer de suas cotas e, em dezembro, transferiu cerca de 34 milhões de reais para a Egide lá fora. “Deste modo”, afirma o relatório da PF, “pode-se afirmar que todo o ativo do Arleen […] é transferido para a Egide I Hodling na liquidação do fundo”.

Os investigadores também suspeitam que Vorcaro possa ter influenciado um voto de Dias Toffoli numa causa sobre precatórios do setor sucroalcooleiro. A destilaria Alcídia, que pertence ao grupo Atvos, cobrava da União a reparação de prejuízos causados na década de 1980. A decisão sobre o caso teria impacto direto sobre a carteira de precatórios do setor sucroalcooleiro no balanço do Banco Master, que somava mais de R$ 10 bilhões. Referindo-se ao caso, o diretor jurídico do Master, André Kruschewsky, mandou uma mensagem para Vorcaro: “É importante! Serve de paradigma para nossos casos.”

O ministro do STF tinha um posicionamento historicamente favorável às usinas nas ações de precatórios, pontua a revista Piauí. Dias antes do julgamento da Alcídia, Toffoli julgou uma outra ação parecida e votou ao contrário do que sempre fizera. Em vez de favorecer as usinas, ele decidiu a favor da União. De acordo com a publicação, a notícia “caiu como uma bomba” para o Master.

André Kruschewsky, então, propôs ao banqueiro: “Vamos nos movimentar?” Daniel Vorcaro encaminhou mensagens em sequência: “Estou acompanhando”. Depois: “Mais do que imagina”. Em seguida, escreveu: “Tá uma pica isso”. Kruschewsky deixou claro que sabia da novidade: “Toffoli virou o voto” e que já havia entrado em ação: “Tô tratando aqui”.

Acerta altura, o diretor jurídico oferece seus serviços para tentar adiar o julgamento do caso da Alcídia. Diz: “Se precisar de ajuda, para tirar de pauta, avisa!”. A PF registra que o diretor jurídico “aparenta ter acesso ao STF inclusive para ‘tirar de pauta’ o processo em questão”. No dia em que o caso deveria ser julgado, o ministro Kassio Nunes Marques pediu vista do processo, e Toffoli registrou ausência justificada. O caso acabou adiado e só foi retomado em 1º de outubro de 2024.

Na sessão que julgou a situação da Alcídia, a tese da usina prevaleceu, beneficiando o Master. Toffoli votou a favor da usina, contrariando o voto mais recente que tinha dado em um caso semelhante envolvendo a Raízen. Às 16h58, um operador do banco avisou Vorcaro: “Ganhamos Alcídia”, e informou o resultado, 3 votos a 2, com a virada de Toffoli. O banqueiro respondeu com um emoji de joinha. Depois, comunicou o resultado a um contato que a PF identifica como sendo Paulo Sérgio Neves, diretor do Banco Central, que respondeu com uma imagem de mãos em oração.

O relatório da PF diz que o caso “demanda aprofundamento analítico, não sendo no presente momento suficientes para conclusões definitivas”. No entanto, afirma que as mensagens “Toffoli virou o voto” e “tô tratando aqui” assumem “especial relevância, por ocorrerem em momento imediatamente anterior à data designada para julgamento, e por estarem inseridas em diálogo no qual se discute a necessidade de ‘se movimentar’ e de ‘acompanhar’ o caso”.

Outro lado

À Piauí, a equipe do ministro Dias Toffoli afirmou: “Em relação ao citado relatório, desde logo cabe dizer que ele foi arquivado, com decisão de trânsito em julgado”. A nota també diz que “conforme nota oficial do STF, do dia 12 de fevereiro de 2026, os dez ministros tiveram ciência de todo o seu conteúdo e das devidas informações preparadas pelo ministro tanto no formato escrito quanto presencialmente, deliberando não ser o caso de suspeição. Previamente o presidente Edson Fachin já havia rejeitado o pedido de distribuição como inquérito. Decisões estas, repita-se, transitadas em julgado.”

No entanto, a revista ressalta que há uma imprecisão. Quando se reuniram, em fevereiro, os dez ministros arquivaram a arguição de suspeição contra Toffoli, mas não o relatório que a embasou. Esse documento, e toda a investigação que levou até ele, continuaram sob a posse da PF e, portanto, poderiam ter motivado novas diligências. Poderiam, também, ter tido o seu sigilo levantado. Indagado pela Piauí, Mendonça respondeu que os autos da arguição não lhe foram remetidos e que, por isso, “não há providências a serem adotadas por esta relatoria”.

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