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Eliseu Caetano

El Niño pode ser o mais forte desde 1950 e elevar risco de enchentes na Argentina

Fenômeno pode atingir o pico entre o fim de 2026 e o início de 2027

Eliseu Caetano

O chefe dos serviços de previsão climática da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Wilfran Moufouma-Okia, aponta gráficos exibidos em uma tela de computador na sede da OMM em Genebra, em 1º de junho de 2026. Há 80 por cento de chance de o fenômeno de aquecimento El Nino se desenvolver entre junho e agosto, aumentando o risco de eventos climáticos extremos, disse a Organização Meteorológica Mundial em 2 de junho de 2026. (Foto de Fabrice COFFRINI / AFP)
O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial ficam mais quentes do que o normal. Fabrice COFFRINI / AFP

A Argentina se prepara para os possíveis impactos de um El Niño de intensidade histórica. O fenômeno climático continua ganhando força no Oceano Pacífico e pode atingir seu pico entre o fim de 2026 e o início de 2027, aumentando o risco de chuvas intensas, cheias de rios e inundações em diferentes regiões do país.

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe mais de 90% de probabilidade de o atual El Niño alcançar intensidade muito forte durante os próximos meses. As projeções indicam que o episódio poderá estar entre os mais intensos da série histórica iniciada em 1950.

O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial ficam mais quentes do que o normal. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e interfere nos padrões de chuva e temperatura em várias partes do planeta, provocando períodos de seca em algumas regiões e precipitações acima da média em outras.

Na Argentina, os efeitos do fenômeno costumam ser mais significativos nas regiões central e nordeste, onde o aumento das chuvas pode favorecer enchentes, alagamentos e a elevação do nível dos rios.

O Serviço Meteorológico Nacional argentino confirmou, em setembro, que o país já está sob influência do El Niño. Segundo o órgão, os modelos climáticos indicam a manutenção de um episódio forte ou muito forte durante a primavera no Hemisfério Sul.

Diante desse cenário, autoridades argentinas intensificaram o monitoramento das condições meteorológicas e dos níveis dos rios. Desde o início de setembro, órgãos nacionais divulgam boletins semanais sobre a situação hidrometeorológica, as tendências de precipitação e os possíveis cenários para os próximos meses.

A preocupação envolve especialmente as áreas mais vulneráveis a enchentes e as regiões agrícolas, onde o excesso de chuva pode comprometer lavouras, estradas e o transporte da produção.

As projeções da NOAA também indicam que os efeitos do El Niño poderão se estender até o primeiro semestre de 2027. A agência estima em 97% a probabilidade de permanência do fenômeno entre fevereiro e abril do próximo ano.

Apesar da possibilidade de um episódio histórico, os meteorologistas ressaltam que a intensidade do El Niño não determina, por si só, a ocorrência de desastres naturais. O volume das chuvas, as condições do solo e os níveis dos rios serão fatores decisivos para a gravidade dos impactos.

Com a aproximação do verão no Hemisfério Sul, a Argentina entra em um período de atenção redobrada. Os próximos meses serão fundamentais para determinar a intensidade do fenômeno e seus possíveis efeitos sobre a população, a agricultura e a infraestrutura do país.

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