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Beatriz Manfredini

B.O integrado, batalhão de motos com fuzil: as ideias da segurança de Tarcísio

Propostas devem ser protocoladas até o próximo sábado (15) na Justiça Eleitoral

Beatriz Manfredini

Tarcísio de Freitas
Tarcísio de Freitas durante primeiro debate pela disputa ao governo de São Paulo Foto: FELIPE RAU/ESTADÃO CONTEÚDO

A segurança pública será um dos principais eixos do plano de governo que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve apresentar para a disputa pela reeleição. O documento, que será protocolado no próximo sábado (15), deve conter medidas como o Boletim de Ocorrência integrado, o policiamento reforçado em garupas de motocicletas e o avanço do combate à violência contra a mulher.

O B.O integrado, por exemplo, prevê o acesso compartilhado de uma ocorrência policial entre Polícia Militar (PM), Polícia Civil, Guarda Civil Metropolitana (GCM) e Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A previsão é que o sistema comece a funcionar em janeiro. Apesar de a expectativa ser de a medida estar no plano de Tarcísio, ainda está em discussão a possibilidade de ampliar o número de crimes que poderão ser registrados diretamente pelos policiais nas ruas, por meio de celulares ou tablets, para agilizar o processo.

Outra proposta é a criação do BRAVO (Batalhão de Resposta Avançada Operacional), que está em fase de preparação e deve começar a atuar nas próximas semanas, ainda no atual mandato do governador. O projeto prevê 500 motocicletas, cada uma com dois policiais – medida inédita no Estado de São Paulo. O agente que estiver na garupa será equipado com fuzil. A ideia é utilizar essas equipes em locais de difícil acesso, como vielas de comunidades, e em áreas com maior concentração de roubos e furtos. A ideia veio de cidades do Ceará e também de Goiás. A coluna apurou que batalhão já passou por treinamento e a estrutura poderá ser ampliada no plano de governo.

Já para o combate à violência contra a mulher, o plano deve prever o aumento do uso de tornozeleiras eletrônicas por agressores e a ampliação do número de viaturas lilás, voltadas ao atendimento do público feminino.

O documento ainda vai incluir a criação do SPCIN, o Centro de Inteligência e Inovação em Segurança Pública, ligado ao programa Muralha Paulista. A estrutura deve funcionar onde hoje está instalado o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC/SP), no Bom Retiro, região central da capital, próximo à ROTA. A proposta é transformar o espaço em um centro aberto ao público para apresentar as tecnologias utilizadas pelas forças de segurança. O projeto também prevê integração com o SAMU, o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil e a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) e o sistema de monitoramento da capital, o SmartSampa.

Outra frente é a instalação de mais 20 mil câmeras, além das 136 mil já espalhadas pelo Estado. Os municípios também poderão aderir ao sistema com equipamentos próprios, ampliando a rede de monitoramento. Cidades com recursos poderão fazer a instalação diretamente, enquanto aquelas com menor capacidade financeira poderão recorrer a financiamento pela Investe SP. Em novembro, inclusive, integrantes da Secretaria de Segurança Pública (SSP) devem viajar ao Japão e à China para conhecer modelos de centros de inteligência e avaliar experiências adotadas nos dois países.

O plano deve incluir, ainda, a entrega de três novos presídios no Estado. Entre as tecnologias previstas também está o Snapshot, instalado nas câmeras dos uniformes dos policiais. O sistema emitirá um alerta sonoro ou sensorial quando o agente se aproximar de uma pessoa procurada. Para isso, serão feitas três fotografias para reconhecimento facial e checagem automática com bancos de dados de procurados pela Justiça.

Outras ideias

A SSP também avalia outras medidas que podem ou não serem incluídas no documento e que serão avaliadas até a apresentação do plano.

Uma delas é a criação de um número único de emergência para São Paulo. A proposta, inspirada no modelo americano do 911, é permitir que o cidadão faça uma única ligação, independentemente de precisar de atendimento da Polícia, dos Bombeiros ou do SAMU. O sistema identificaria o serviço necessário e encaminharia automaticamente a viatura adequada.

Segundo fontes da pasta, além de facilitar a memorização do número, a medida permitiria ao Estado acompanhar todo o ciclo da ocorrência. A ideia é que São Paulo possa servir de modelo para uma eventual implementação nacional.

A Polícia Militar também estuda e tenta implementar o chamado APP ANJO. O aplicativo permitiria ao usuário cadastrar uma chave de segurança para situações de emergência. Ao pronunciar uma frase previamente definida, uma viatura seria acionada automaticamente para a localização do celular.