Argentina endurece regras migratórias e poderá punir discurso de ódio contra o país
O presidente da Argentina, Javier Milei, assinou um Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) que amplia as possibilidades de impedir a entrada ou determinar a expulsão de estrangeiros que promovam mensagens de ódio, discriminação ou violência contra a Argentina, seus cidadãos ou seus símbolos nacionais.
O anúncio foi feito pela Casa Rosada por meio de um comunicado oficial. O texto informa que o decreto altera a Lei de Migrações para incluir como motivo de inadmissão e expulsão estrangeiros que “dirijam ou incitem mensagens de ódio, discriminação e/ou violência contra o povo argentino ou seus cidadãos por razão de sua nacionalidade”, além de prever medidas contra quem ultrajar os símbolos nacionais.
Segundo o governo Milei, a medida é uma resposta às “recentes manifestações de hostilidade” contra a Argentina e reafirma que “a defesa da Nação, de seus cidadãos e de seus símbolos não é negociável”. O comunicado conclui afirmando que “quem atacar a República Argentina não é bem-vindo em nosso país”.
De acordo com as informações divulgadas até o momento:
- Estrangeiros poderão ter a entrada negada se houver enquadramento nas novas hipóteses previstas pelo decreto;
- Estrangeiros que já residem na Argentina também poderão ser alvo de processos de expulsão;
- A medida se aplica a mensagens de ódio ou incitação à violência contra a Argentina, os argentinos ou seus símbolos nacionais.
Liberdade de expressão
Um dos pontos que mais vêm sendo discutidos é o alcance da nova regra.
Segundo veículos internacionais que tiveram acesso ao texto, o governo afirma que críticas de natureza ideológica, política ou acadêmica continuam protegidas pela liberdade de expressão. O foco, segundo a Casa Rosada, seria a incitação ao ódio e à violência, e não opiniões ou críticas ao governo.
Especialistas, no entanto, avaliam que a interpretação dos conceitos de “mensagens de ódio” e “ultraje aos símbolos nacionais” poderá gerar debates jurídicos sobre os limites da liberdade de expressão e a aplicação da norma.
Contexto político
A decisão faz parte de uma política migratória mais rígida adotada pelo governo Milei desde 2025. Naquele ano, o presidente já havia endurecido as regras para imigração, residência e naturalização, aproximando sua política de controle migratório da adotada pelos Estados Unidos durante o governo Donald Trump.
A nova medida também ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre a Argentina e alguns países da região e após episódios recentes de críticas internacionais envolvendo o país.
Como se trata de um Decreto de Necessidade e Urgência (DNU), a norma entra em vigor imediatamente, mas ainda poderá ser analisada pelo Congresso argentino e também poderá ser questionada na Justiça, como ocorreu com outros decretos editados pelo governo Milei.
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