Dólar recua com falas de Guedes e Bolsonaro sobre controle fiscal
O dólar fechou com forte queda nesta terça-feira, 26, com os investidores repercutindo as declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a manutenção do teto de gastos e o compromisso do governo federal no controle do endividamento público. A moeda norte-americana encerrou o dia com recuo de 3,3%, cotada a R$ 5,326. A divisa chegou a bater máxima de R$ 5,479, e na mínima não passou de R$ 5,313. Apesar do clima otimista, a Bolsa de Valores brasileira fechou o dia em baixa depois de alterar o sinal no meio da tarde. O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o pregão com queda de 0,78%, aos 116.464 pontos. “O Ibovespa está muito próximo do principal suporte de curtíssimo prazo, na faixa de 114 mil pontos, onde espera-se, pelo menos, uma reação positiva em vista da tendência de alta no curto prazo e o alívio dado aos indicadores técnicos no diário”, afirmou Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.
Em conversa com investidores nesta manhã, Bolsonaro afirmou que o governo manterá o teto de gastos e que não vai permitir que medidas adotadas para mitigar os efeitos da pandemia do novo coronavírus virem gastos fixos. “Manteremos firme o compromisso com a regra de despesas como âncora de sustentabilidade e credibilidade econômica. Não vamos deixar que medidas temporárias, relacionadas com a crise, se tornem compromissos permanentes de despesas. Nosso objetivo é passar da recuperação baseada no apoio ao consumo para o crescimento sustentado pelo dinamismo do setor privado.” A fala do presidente ocorre em meio à pressão para a volta do auxílio emergencial na medida que o número de infecções cresce e regras de isolamento social se tornam mais rígidas. Fontes do governo afirmaram que o benefício lançado em 2020 já foi descartado e que o governo prepara a reformulação e ampliação do Bolsa Família.
No mesmo evento promovido pelo banco Credit Suisse, o chefe da equipe econômica reiterou que o auxílio emergencial será retomado apenas com a confirmação de que o país passa por uma segunda onda da pandemia. Segundo Guedes, caso o benefício, que custou aproximadamente R$ 320 milhões aos cofres públicos no ano passado, seja retomado, deverão ocorrer cortes em outras áreas “Quer criar o auxílio emergencial de novo? Tem que ter muito cuidado, pensa bastante. Se fizer isso, não pode ter aumento automático de verbas para educação, para segurança pública, porque toda a prioridade passou a ser absoluta, é uma guerra. Se apertar o botão ali, vai ter que travar todo o resto.” Ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, Guedes comparou o combate à pandemia do novo coronavírus aos esforços de uma guerra. “Pegar o dinheiro e sair correndo é fácil. Agora tem que pagar, tem que ter sacrifícios impostos. Quando se tá em guerra, não é só receber armamento, é também pagar o armamento. E a população tem o custo de não ver as outras despesas crescendo, porque você está devotando tudo ao combate, ao auxílio emergencial”, afirmou.
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