‘Presenciei ódio gratuito e grosseria racista’, diz Seu Jorge sobre show em Porto Alegre
O cantor Seu Jorge se pronunciou após ser alvo de racismo em um show que realizou em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. “Na última sexta-feira, dia 14 de outubro, fui contratado para fazer uma apresentação na cidade de Porto Alegre, no clube social Grêmio Náutico União. Era um jantar de gala com pessoas muito bem vestidas para aquela ocasião, um evento reservado somente para os sócios do clube. Particularmente, não percebi nenhuma pessoa negra no jantar e as pessoas negras que eu encontrei foram apenas os funcionários. Eu ouvi dizer que eles estavam proibidos de olhar para mim ou falar comigo quando eu chegasse no local do show, mas o importante é que no final eu falei com todo mundo, abracei todo mundo e tirei foto com todo mundo”, comentou o artista em um vídeo publicado no YouTube. Nas redes sociais, há relatos de que Seu Jorge foi vaiado no final do show por fazer um “L” com a mão, em alusão ao candidato Luís Inácio Lula da Silva (PT), que concorre à presidência da república.
O artista associou o episódio a um “ódio gratuito” e não mencionou se as críticas foram motivadas por questões políticas. “Quando cheguei atrás do palco, eu comecei a escutar muitas vaias e xingamentos. Por conta disso, percebi que não seria possível voltar para fazer o famoso bis. Mas, sozinho, retornei ao palco de maneira respeitosa, agradeci a presença de todos, me despedi do público presente e me retirei do local do show”, contou. “Não reconheci a cidade que aprendi a amar e respeitar. Não era a cidade que eu conheci dos inúmeros shows [que fiz] com as bandas amigas. O que eu presenciei foi muito ódio gratuito e muita grosseria racista. Quero agradecer o carinho e suporte que recebi de toda a gente de Porto Alegre que se sensibilizou com o que aconteceu.” Seu Jorge também mandou uma mensagem ao povo negro do Rio Grande do Sul. “Quero dizer que amo todos vocês, admiro e respeito. Digo também que estamos mais unidos do que nunca e que vamos vencer essa guerra que segrega nosso povo a miséria e a falta de oportunidade no Brasil”, declarou. “Nunca, jamais, nos curvaremos ao racismo e a intolerância seja ela qual for. Não cederemos um milímetro sequer ao ódio e combateremos e cobraremos das autoridades que a justiça prevaleça e que os criminosos sejam devidamente punidos. A lei é para ser cumprida.”
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