Casares renuncia ao cargo de conselheiro do São Paulo antes de julgamento
Júlio Casares renunciou ao cargo de conselheiro do São Paulo. O movimento é uma tentativa de evitar o julgamento pela Comissão de Ética, marcado para esta quinta-feira (30). Ele é investigado por gestão temerária e atividades irregulares no seu mandato.
Na carta de renúncia, Casares também fala que deixará o quadro associativo do clube. Entretanto, o artigo 38 do estatuto social diz que não é aceito pedido de demissão de sócios quando o associado “for objeto de procedimento administrativo disciplinar, até a conclusão de tal procedimento”.
O advogado Bruno Borragine, que representa Júlio Casares, disse ao Estadão que a renúncia se deu por o ex-presidente são-paulino sofrer um “processo de exceção”. Na visão de sua defesa, Casares teve o direito de defesa “cerceado” por não conseguir documentos para compor sua representação na Comissão de Ética do Conselho Deliberativo. Segundo o advogado, a própria comissão não permitiu o acesso.
Júlio Casares deixou a presidência do São Paulo em janeiro, após ter tido seu afastamento aprovado pelos conselheiros. A renúncia, na época, encerrou o processo de impeachment, que seria concluído com uma assembleia de sócios. A tendência era de que ele fosse afastado em definitivo.
O ex-presidente é alvo de investigações do Ministério Público e do próprio São Paulo desde dezembro do ano passado, após o vazamento de um áudio que revelava um esquema clandestino de uso de camarotes no MorumBis. Casares também é alvo de um inquérito sobre supostos saques irregulares dos cofres são-paulinos.
Desde então, as investigações já passaram por coleta de provas em operações de busca e apreensão e oitivas de suspeitos e testemunhas. Internamente, o São Paulo expulsou Mara Casares e Douglas Schwartzamann, então diretores envolvidos no esquema dos camarotes. Márcio Carlomagno, tido como braço direito de Casares, foi expulso do quadro associativo. Ele também era citado na gravação vazada.
A série de acontecimentos é tida como a maior crise institucional na história do São Paulo, presidido atualmente por Harry Massis, que havia sido eleito como vice de Casares. No fim de 2026, haverá eleição presidencial no clube, que já vive efeitos de articulação entre conselheiros para o pleito.
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