Má fase do São Paulo pode causar mudanças em trio de dirigentes
Atualmente o São Paulo tem um trio de dirigentes que cuida do futebol do clube. Raí, Ricardo Rocha e Lugano são responsáveis pelas principais decisões, mas agora podem acontecer mudanças, geradas pela má fase do time em campo.
Raí, o homem forte do futebol do clube, passou a centralizar mais suas decisões. Lugano, por exemplo, apesar de ter na prática um cargo institucional descolado do futebol, foi o responsável por indicar a contratação de Diego Aguirre e é figura presente no CT da Barra Funda e no Morumbi durante os jogos. Ele tem, inclusive, o hábito de frequentar o vestiário. Mas só soube da queda do técnico depois de anunciada. Estava na Argentina, vendo a final da Libertadores entre Boca e River.
Raí declarou que tentou entrar em contato com o uruguaio, mas não conseguiu. E foi firme quando questionado sobre o papel de Lugano no episódio. “Eu tentei conversar com ele durante o dia. Era uma decisão que tinha de ser tomado no dia, deixei recado, mas o cargo do Lugano é superintendente de relações institucionais, é um cara que escuta e dá suas opiniões, mas não é o papel dele”, afirmou.
É bom frisar que, hierarquicamente, Raí, de fato, não deve satisfações a Lugano. E apesar do uruguaio não ter concordado com a saída de Aguirre, não deve neste primeiro momento pedir o boné. Uma pessoa que frequenta diariamente o CT da Barra Funda disse que “seria uma surpresa” se o uruguaio fosse embora.
Já Ricardo Rocha tem grande chance de não ficar no ano que vem. O ex-zagueiro tem planos pessoais de ser a figura central no departamento de futebol de algum clube no Brasil. Ele já se sente preparado a assumir a linha de frente, em vez de ser o segundo na hierarquia do futebol do São Paulo. O que pode fazê-lo mudar de ideia é seu bom relacionamento com Raí. Ricardo Rocha é tido como peça importante no dia a dia com o elenco e no gerenciamento de crises no vestiário. Ele também atuou diretamente para a vinda do meia-atacante Everton, que estava no Flamengo. De qualquer forma, mesmo que decida sair, Ricardo Rocha seguirá no posto nas cinco rodadas finais do Campeonato Brasileiro.
Passada a demissão de Aguirre, o foco da diretoria agora se volta para André Jardine, que vai dirigir o São Paulo até o fim do ano. O gaúcho de 39 anos, que passou três anos nas divisões de base do clube, é respeitado por Raí e pelos atletas. Mesmo assim, ainda não há certeza de que será efetivado.
Fato é que muito do planejamento para 2019 passará pela reconfiguração do departamento de futebol. Se Rocha realmente sair, quem pode ganhar ainda mais força é o atual gerente executivo, Alexandre Pássaro, figura frequentemente exaltada por Raí em suas entrevistas.
Com Estadão Conteúdo
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David de Tarso
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