Durigan diz que Brasil já investigava alvos ligados ao PCC e que EUA foi informado
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que preocupa a interferência da gestão de Donald Trump nas investigações sobre organizações criminosas brasileiras. Ele destacou que o Brasil tem compromisso com o combate a essas organizações e pessoas físicas e empresas já estavam sendo investigadas pelo País.
“Essas organizações são, de fato, muito ruins e causam terror social no Brasil. E aí, o que a gente fica com dúvida, tanto nós, quanto a população brasileira, é o que será feito com isso. E esse espaço de ataque, esse espaço de interferência dos Estados Unidos no Brasil, sem que a gente saiba exatamente o que se pretende com isso, é o que nos preocupa”, afirmou o ministro, em entrevista concedida nesta manhã ao portal g1.
Mais cedo, a direção da Polícia Federal (PF) afirmou que a operação deflagrada nesta sexta-feira (03) contra brasileiros sancionados pelos Estados Unidos por elos com a facção criminosa PCC já tinha sido planejada antes de a facção ter sido declarada como organização terrorista.
Os investigadores disseram, porém, que precisaram antecipar o cumprimento da operação por causa da divulgação das sanções dos Estados Unidos a esses alvos, por receio de fuga. “Essas pessoas físicas e essas empresas já estavam sendo investigadas no Brasil, pela Polícia Federal, pela Receita (Federal). A gente já sabia, não tem novidade. Hoje mesmo a polícia faz uma operação, quer dizer que a investigação já estava em curso há um tempo”, completou o ministro.
Segundo Durigan, já houve troca de informações e o Brasil segue interessado nesse compartilhamento. “A própria autoridade brasileira informou ao governo dos Estados Unidos o que se passava aqui. Não tem novidade para a gente, que já estava investigando e punindo essas pessoas e essas empresas”, prosseguiu o ministro.
A ação da PF nesta sexta-feira teve como alvos os empresários Stella Stefanie Nunes e Victor Henrique de Oliveira Shimada, os primeiros brasileiros sancionados pelos Estados Unidos desde que o governo de Donald Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais.
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