OMS: Com sistema de saúde sobrecarregado, mortes evitáveis aumentam muito
A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou nesta segunda-feira (30) para o fato de que a pandemia do novo coronavírus tem pressionado os sistemas de saúde em muitos países. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que surtos anteriores de doenças nos mostram que, quando os sistemas de saúde estão sobrecarregados, “as mortes que poderiam ser prevenidas por vacinas ou tratamentos aumentam dramaticamente”.
Nesse contexto, a OMS informou que publica nesta semana um relatório para orientar países a conseguir lidar com os impactos da pandemia, sem abrir mão dos demais serviços no setor.
Ghebreyesus também comentou que falou mais cedo em teleconferência com ministros de Comércio do G-20, insistindo na importância de que seja garantida a logística de transporte de itens médicos para lidar com a situação. “É preciso manter a livre movimentação de produtos de saúde essenciais”, insistiu Ghebreyesus.
No contexto de combate à pandemia, a OMS afirmou que medidas de restrição à circulação de pessoas “são difíceis, mas a alternativa é pior”, já que a livre movimentação acelera o número de novos casos, pressionando os sistemas de saúde.
O comando da entidade lembrou que essas restrições podem fazer autoridades ganharem tempo para a resposta ao problema.
Ao mesmo tempo, a OMS notou que, no quadro atual de restrições em vários países, a maioria dos novos casos acontece dentro das casas das pessoas, por isso a importância de se continuar a buscar esses casos para isolá-los e reduzir a disseminação da doença.
Ghebreyesus lembrou que muitas pessoas, inclusive em países ricos, dependem de seu trabalho diário para conseguir comprar sua comida. Ele afirmou que os governos precisam levar esse contexto em conta, na hora de elaborar suas políticas.
“Temos de ver não apenas o impacto no PIB, mas na vida dos indivíduos”, ressaltou. Vários países têm adotado medidas fiscais para se contrapor à piora econômica, por exemplo prometendo pagamentos diretos aos trabalhadores mais afetados e concedendo empréstimos a empresas.
A OMS também voltou a alertar que não há, até o momento, nenhum medicamento ou terapia já comprovados contra a covid-19. As autoridades da entidade lembraram que há estudos preliminares apontando que alguns remédios podem ser úteis contra o novo vírus, mas ressaltaram que ainda não está estabelecido exatamente em que quantidades, para quais casos específicos e em que contextos eles podem ser utilizados.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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