Celso de Mello vai assistir a vídeo, e decisão sobre sigilo fica para semana que vem

  • Por Jovem Pan
  • 15/05/2020 17h57
Fátima Meira/Estadão ConteúdoCelso de Mello também é o relator do inquérito que apura suposta tentativa de interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal

O ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), assistirá ao vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, peça-chave do inquérito que apura suposta tentativa de interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. Com isso, a decisão sobre a liberação total ou parcial da gravação ficará apeenas para a semana que vem.

O decano deverá assistir à gravação na próxima segunda (18), e, somente depois disso, irá decidir pelo levantamento ou não do sigilo. Celso de Mello já tem uma visão geral do teor da reunião, feita a partir do relato do juiz federal auxiliar Hugo Sinvaldo Silva da Gama Filho, mas quer ver a íntegra antes de tomar uma decisão.

O procurador-geral da República Augusto Aras e o Advogado-Geral da União se manifestaram pela divulgação parcial da gravação, somente de falas do presidente Jair Bolsonaro. O PGR foi ainda mais restrito quanto ao vídeo, pedindo ao decano do Supremo que libere somente as falas do presidente relacionadas ao objeto do inquérito que tramita no STF.

Já a defesa de Moro defende que a divulgação integral do conteúdo caracterizará verdadeira lição cívica, por se tratar de um ato oficial do governo.

O vídeo está sob sigilo temporário por ordem do decano desde o dia que foi entregue pelo Planalto, na sexta-feira da semana passada. Na terça (12), a gravação foi exibida no Instituto Nacional de Criminalística da corporação em Brasília, em ato único, a Moro, advogados do ex-ministro, integrantes da Advocacia-Geral da União, procuradores e investigadores que acompanham o caso.

Fontes que acompanharam a exibição do vídeo avaliaram que o conteúdo da gravação escancara a preocupação do presidente com um eventual cerco da Polícia Federal a seus filhos. O presidente aparece no vídeo chamando a superintendência fluminense da PF de segurança do Rio, segundo relatos.

*Com informações do Estadão Conteúdo