Laudo do IML aponta que juíza morta por ex-marido levou 16 facadas

Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, de 45 anos, foi assassinada por Paulo José Arronenzi, de 52 anos, na véspera do Natal, no Rio de Janeiro

  • Por Jovem Pan
  • 26/12/2020 20h32
Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro/DivulgaçãoJuíza foi assassinada a facadas em avenida na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio

A juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, de 45 anos, foi assassinada pelo ex-marido Paulo José Arronenzi, de 52 anos, com 16 golpes de faca distribuídos pelo corpo, aponta o laudo na necropsia do Instituto Médico Legal (IML), neste sábado, 26. A magistrada do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro foi morta na quinta-feira, 24, na véspera de Natal, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela assessoria da Polícia Civil, sem mais detalhes. Segundo reportagem do jornal “O Globo”, foram dez perfurações no rosto e na cabeça e seis nas costas. No entanto, um corte na jugular teria sido o golpe fatal na juíza, que não teve chance de socorro.

Viviane entrará para uma triste estatística: em 2020 o Estado do Rio registrou 67 feminicídios, segundo dados até novembro do Instituto de Segurança Pública (ISP). No ano passado, foram praticados 85 feminicídios, a maioria (47,2%) cometidos por companheiros ou ex-companheiros das vítimas. De 2017 a 2019 houve alta de 25% desse tipo de ocorrência. Filmado por uma testemunha, o crime ocorreu na frente das três filhas do casal (duas gêmeas de 7 anos e uma de 9 anos), na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. O corpo de Viviane foi cremado na manhã deste sábado, 26, no bairro do Caju, na região central do Rio de Janeiro.

O caso gerou comoção e despertou manifestações de órgãos do Judiciário. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luiz Fux, divulgou nota oficial em que os órgãos “se comprometem com o desenvolvimento de ações que identifiquem a melhor forma de prevenir e de erradicar” o feminicídio. Há três meses, a juíza chegou a denunciar o ex-marido por lesão corporal e ameaças. O próprio TJ providenciou uma escolta para Viviane, mas ela abriu mão da proteção. Em 2007, uma ex-namorada de Paulo José Arronenzi já havia denunciado o engenheiro por agressão.

O crime ocorreu por volta das 18h30, quando a juíza levava as filhas para passar o Natal com o pai. Ela se encontrou com o ex-marido na Rua Raquel de Queiroz. Num vídeo que chegou a circular nas redes sociais e está sendo usado como prova pela polícia, o ex-marido ataca a juíza na frente das filhas, a despeito dos pedidos das meninas para que parasse. Testemunhas ainda pediram socorro aos guardas municipais do 2º SubGrupamento de Operações de Praia, que estavam na base ao lado do Bosque da Barra, próximo ao local do crime. Os agentes encontraram a juíza desacordada, caída ao chão. Apontado por testemunhas como autor das facadas, Paulo José Arronenzi foi preso pelos guardas municipais sem mostrar resistência.

Policiais do 31º Batalhão da Polícia Militar, do Recreio dos Bandeirantes, e agentes do Corpo de Bombeiros também foram acionados, mas já encontraram Viviane morta no local do crime. A faca usada no assassinato não foi encontrada, mas a polícia achou uma mochila dentro do carro de Arronenzi com três facões de churrasco, o que indicaria um crime premeditado. A Delegacia de Homicídios investiga as circunstâncias do assassinato. Arronenzi foi conduzido pelos guardas municipais à delegacia, na Barra, mas precisou ser levado ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, no mesmo bairro, por causa de um corte na mão. O acusado foi atendido e liberado pelos médicos, sendo reconduzido por policiais militares à delegacia. Arronenzi não falou com os policiais e disse que só prestará depoimento em juízo. A audiência de custódia do engenheiro ocorreu na tarde desta sexta-feira, e a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva, que não tem prazo para expirar. Ele foi transferido para um presídio nesta sexta-feira.

*Com informações do Estadão Conteúdo