Com alta nos preços, venezuelanos são forçados a produzir as próprias bebidas alcoólicas
Imagine não poder aproveitar uma cerveja gelada no fim do expediente ou uma dose de uísque em uma noite de sábado. Essa é a realidade de quem vive na Venezuela, país atingido por uma grave crise econômica. A alta inflação – de cerca de 200.000%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI) – tornou as bebidas alcoólicas inatingíveis para os consumidores.
O venezuelano Nelson Vargas se aposentou há três anos e, desde então, nunca mais bebeu um gole de cerveja. Já Luis Montilla conta que guarda dinheiro na esperança de comprar uma garrafa de uísque mas, a cada vez que vai até uma loja, o preço está entre 50 e 100 mil bolívares mais caro, algo que não acontecia desde meados de 2015.
A Wine and Spirit Research, uma pesquisa que analisa as tendências de consumo de bebidas no mundo inteiro, revelou que o consumo de uísque na Venezuela caiu 43% entre 2013 e 2018.
A dificuldade de comprar bebidas antes consideradas rotineiras trouxe de volta a tradição de licores caseiros e de baixo custo. O Cocuy, um destilado feito do suco fermentado do Agave é uma das primeiras escolhas dos venezuelanos.
No entanto, pessoas que já tinham o costume de fazer o tradicional licor, alertam para a queda na qualidade dos produtos feitos atualmente. Crispin Gimenez, fabricante da bebida, diz que agora estão fazendo uma espécie de aguardente e chamando de Cocuy.
Outra escolha dos venezuelanos para driblar a crise e consumir é a Guarapita, semelhante à caipirinha brasileira. A bebida é feita a base de destilados, com suco concentrado e açúcar.
Mas, às vezes, o barato pode sair caro. Um levantamento feito pela mídia venezuelana atribuiu cerca de 30 mortes no país ao consumo de álcool adulterado.
*Com informações da repórter Nanny Cox
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