Divisões sobre o Brexit criam cenário difícil no Reino Unido
O Reino Unido está dividido: partidos, Parlamento e a população não se entendem e um consenso é praticamente impossível.
A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, tentou uma última cartada para salvar o acordo do Brexit. Durante uma reunião com líderes europeus, May pediu garantias legais de que não vai haver uma fronteira física entre a Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido e a Irlanda, integrante da União Europeia.
Sem essa certeza, ela dificilmente vai conseguir votos suficientes pra aprovar o acordo no parlamento britânico, etapa necessária pra poder avançar. Mas as lideranças do bloco europeu repetiram mais uma vez que os termos do divórcio não serão renegociados. A paciência deles está acabando e o tempo também.
May precisa convencer os britânicos a apoiarem os resultados da negociação ate o dia 21 de janeiro, prazo final para os deputados votarem. Uma difícil tarefa, ainda mais com esse momento atual que o mundo vive, que vai desde Donald Ttrump ate a Europa com esse desejo de isolamento, de nacionalismo contra a globalização.
Na semana passada, quando a premiê britânica viu que não teria os votos necessários, ela anunciou o adiamento da votação do acordo do Brexit e os deputados riram da cara dela. Dois dias depois, no mesmo parlamento, a primeira-ministra enfrentou um voto de desconfiança sobre a liderança do seu partido depois que mais de 48 correligionários apoiaram a medida.
Apesar de ter tido 200 votos favoráveis e ter se mantido no cargo, ela está bastante enfraquecida. Ainda não está claro que tipo de acordo, se tiver, ganharia apoio da maioria do Parlamento, e muito menos da maioria dos britânicos.
A esperança para a realização de outro referendo virou realidade já que uma parte do eleitorado vê agora a UE como o maior problema que o país enfrenta. É o que garantiu o professor de Relações Internacionais da USP, Amâncio Jorge de Oliveira.
Esse, de acordo com o professor seria o cenário mais radical, uma saída do bloco europeu sem nenhum acordo, o chamado “Brexit duro”, em que o Reino Unido terá o controle de suas fronteiras e abandonará o mercado comum europeu.
Para os analistas do mercado financeiro, o cenário seria catastrófico para a economia do país, com previsão de queda de 7% a 9% do PIB.
*Informações do repórter Victor Moraes
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