Em depoimento, Vorcaro admite ‘problemas’ e diz que Master usava FGC como atrativo
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, admitiu à Polícia Federal (PF) que a instituição financeira enfrentou problemas de liquidez. A Jovem Pan teve acesso à transcrição do depoimento dado, em 30 de dezembro, à delegada responsável pelo inquérito sobre suspeitas de irregularidades de compra da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB). Na oitiva, o banqueiro declarou que o modelo de negócio era totalmente baseado no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e mudanças de regras no seguro de proteção ao investidor causou a crise em sua entidade.
O problema de liquidez consiste em quando uma empresa não consegue arcar com suas despesas por falta de dinheiro em caixa. À PF, Vorcaro disse, no entanto, que o Banco Master “sempre honrou todos seus compromissos até 17 de novembro”. Um dia depois, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da instituição financeira.
Em depoimento, Vorcaro disse que o modelo de negócios adotado no Master “não tinha nada de errado”. “Depois que a gente começa a crescer, muda-se a regra do jogo, quando se [modifica] a regra do jogo, vamos para outros meios de captação”, afirmou o banqueiro.
O banqueiro relatou à PF que buscou junto ao Banco Central soluções para a crise de liquidez. Vorcaro ainda disse que se reuniu com investidores estrangeiros e buscou “fazer negócios com concorrentes”. Quanto ao processo de venda ao BRB, ele declarou que a instituição financeira “foi se adequando a todos os pedidos, acreditando que o acordo daria certo”.
Entenda o caso
Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. Na quarta-feira (21), o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, também teve o seu encerramento forçado.
Segundo as investigações, o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, a instituição financeira passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.
Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.
No sábado (17), a FGC iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.
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