Em Roraima, ministros do governo e PF detalham ações contra o garimpo ilegal em terras Yanomami
A operação para combater o garimpo na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, tem avançado nesta semana. Imagens divulgadas pelo Ibama mostram onze garimpeiros sendo abordados e presos com o apoio da Funai e da Força Nacional de Segurança Pública. Foram apreendidos três barcos carregados de combustíveis, mantimentos, antenas de internet, geradores e material de apoio à exploração mineral. De acordo com o Ministério da Justiça, cerca de 20 mil pessoas invadiram ilegalmente o território Yanomami. Uma comitiva do Governo Federal, liderada pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e com a presença de outros ministros e representantes das Forças Armadas, chegou em Roraima nesta quarta-feira, 8, para acompanhar os trabalhos. A Polícia Federal (PF) prometeu retirar todos os garimpeiros ilegais do território. Até agora, a força-tarefa do Governo Federal destruiu pelo menos um avião, um helicóptero e equipamentos que são usados como apoio para a exploração dos minérios sem autorização.
O delegado Humberto Freire, que comanda a diretoria da Amazônia e Meio Ambiente da PF, disse que todas as pessoas abordadas serão identificadas: “A todos aqueles que forem encontrados em atividade criminosa dentro da área indígena nós podemos, ou identificar e fazer o indiciamento posterior, ou autuá-las em flagrante no momento da abordagem. Isso vai depender de uma análise dentro da operação para também não prejudicar a operação. Isso é uma decisão que nós tomamos, como fizemos no próprio dia 8, daqueles atos terroristas que praticaram. Nós decidimos com uma parte das pessoas que foram detidas apenas identificar e indiciar à posteriori, outras foram autuadas em flagrante e permanecem presas”. O delegado afirmou ainda que os financiadores do garimpo ilegal são os principais responsáveis pela crise humanitária Yanomami: “As pessoas que financiam, as pessoas que fazem lavagem daquele lucro aferido criminosamente com a retirada desse minério, elas têm uma responsabilidade muito maior e isso está sendo investigado dentro dos inquéritos que foram instaurados pela Polícia Federal”.
A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, cobrou agilidade nas ações: “No momento, o que nós queremos e o que nós estamos detectando é a celeridade na finalização da reforma da pista lá da base de Surucucu. A finalização da base é o que vai alavancar todas as outras ações que precisam ser feitas”. Mais 100 homens da Força Nacional já estão em Roraima para integrar a operação de ajuda aos Yanomamis. Os agentes chegaram em dois aviões da Força Aérea Brasileira e vão auxiliar nas ações da Funai na proteção de indígenas isolados e reforçando a segurança das bases da fundação. O ministro da Defesa exaltou o trabalho da PF, mas reforçou que muitos trabalhadores do garimpo tem famílias e que cada caso deve ser analisado pela Justiça: “Nós temos a preocupação de não prejudicar inocentes. No garimpo tem pessoas que trabalham lá para se sustentar, tem mulheres e tem crianças”.
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*Com informações da repórter Paula Lobão
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