Ali Khamenei morreu após ataques dos EUA e de Israel, confirma mídia estatal
Autoridades dos Estados Unidos e de Israel haviam comunicado mais cedo a morte do líder supremo iraniano
A mídia estatal do Irã confirmou neste sábado (28) a morte de seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, na operação dos Estados Unidos e de Israel contra o país. Segundo a agência de notícias Fars, também morreram a filha, o genro e o neto do segundo chefe de Estado desde a revolução iraniana.
Desde 1989, Khamenei era o líder supremo do país. Ele sucedeu o aiatolá Ruhollah Khomeini, responsável por instituir a república islâmica no Irã.
Antes, Khamenei ainda foi presidente do Irã, de 1981 a 1989.
O aiatolá nasceu em 1939. Quando jovem, participou de protestos contra o reinado de Mohammad Reza Pahlavi. Khamenei foi um dos líderes da Revolução Iraniana, de 1979.
Como líder supremo do Irã, Khamenei reprimiu brutalmente uma série de protestos. Em 1999, o governo iraniano suprimiu a mobilização estudantil. Da mesma forma, em 2009, as manifestações desencadeadas por eleição presidencial controversa foram sufocadas. Outra onda de contestação em 2019 foi sufocada.
Mais recentemente, Teerã reprimiu duramente o movimento “Mulher, Vida, Liberdade”. Do final de 2022 ao início de 2023, diversas manifestações assolaram o Irã após a morte de Mahsa Amini, detida por supostamente infringir o código de vestimenta imposto às mulheres.
Trump comunicou morte de Ali Khamenei
Em publicação na rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou a morte de Khamenei. Na postagem, o republicano disse que o aiatolá era “uma das pessoas mais perversas da história”.
Trump afirmou que a morte do líder supremo iraniano não representa “justiça só ao povo iraniano, mas a todos os grandes norte-americanos e para aqueles de muitos países que foram mortos ou mutilados” pelo regime teocrático do Irã.
“[Khamenei] não conseguiu escapar de nossa inteligência e de nossos sofisticados sistemas de rastreamento e, trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele ou que outros líderes, que foram mortos juntos, pudessem fazer”, declarou o republicano.
Na publicação, Trump acrescentou que o momento é oportuno para a população do Irã “recuperar” o controle “de seu país”.
O republicano relatou que integrantes da Guarda Revolucionária Islâmica, das forças armadas, de segurança e policiais iranianas “não querem mais lutar e buscaram imunidade”.
Na publicação, Trump reiterou a fala dada na sexta-feira (27). “Agora eles terão imunidade, depois só terão a morte”, escreveu o republicano.
O presidente norte-americano ainda comunicou que os bombardeios “pesados e precisos” contra o Irã continuarão “ininterruptos durante toda semana ou pelo tempo que for necessário”. Segundo Trump, a medida visa “alcançar o objetivo de paz em todo o Oriente Médio”.
Ataques
A operação conjunta dos Estados Unidos e Israel começou com fumaça sendo vista sobre Teerã, capital iraniana, na madrugada deste sábado. Tel-Aviv classificou os ataques como preventivos.
Trump utilizou sua plataforma Truth Social para postar uma declaração surpresa. Em vídeo, o republicano anunciou operações de combate no Irã, com o objetivo de “eliminar ameaças iminentes”.
Foi vista fumaça subindo sobre o distrito de Pasteur, em Teerã — local da residência do aiatolá Ali Khamenei — e houve um enorme destacamento de segurança na capital.
Os Estados Unidos e Israel afirmaram que a operação mirou locais militares do Irã. O exército israelense alertou os iranianos que, se estivessem dentro ou perto de infraestruturas militares em todo o país, deveriam se retirar dos locais.
No sul do Iraque, houve um bombardeio contra uma base militar que abriga um grupo pró-Irã. Ao menos duas pessoas morreram, segundo informaram as autoridades.
Explosões também foram ouvidas perto do consulado dos Estados Unidos em Erbil, no Iraque, de acordo com jornalistas da agência de notícias AFP.
Onda de mísseis e drones
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que mirou a Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein, após uma primeira onda de ataques de mísseis e drones ter sido lançada contra Israel.
“A primeira onda de ataques generalizados de mísseis e drones da República Islâmica do Irã contra os territórios ocupados começou”, afirmou o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) em comunicado, referindo-se a Israel.
O serviço de emergência Magen David Adom, de Israel, informou estar tratando um homem com ferimentos causados por explosão no norte do país. O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que responderia “decisivamente” aos ataques, insistindo que Teerã fez “todo o necessário para evitar que a guerra eclodisse”.
Explosões no Golfo
Explosões foram relatadas em toda a região do Golfo. Correspondentes da AFP em Riade, na Arábia Saudita, ouviram fortes explosões, assim como na capital do Bahrein, Manama, e em Doha, no Catar.
Os Emirados Árabes Unidos afirmaram ter interceptado mísseis iranianos e reservaram-se o direito de responder aos ataques. Residentes de Abu Dhabi relataram à AFP terem ouvido fortes explosões na capital emiradense, que abriga uma base com pessoal dos Estados Unidos. O Ministério da Defesa do Catar disse ter interceptado vários ataques de mísseis, enquanto o Kuwait também enfrentou ataques.
*Com informações de AFP



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