Lançamento aéreo de ajuda em Gaza é ‘ineficaz’ para acabar com a fome, avalia chefe de agência da ONU

‘É caro, ineficaz e pode até mesmo matar civis famintos’, escreveu no X o diretor da agência, Philippe Lazzarini

  • Por Jovem Pan
  • 26/07/2025 15h16
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Omar AL-QATTAA / AFP Crianças palestinas fazem fila para uma refeição quente em uma cozinha beneficente na Cidade de Gaza, em 30 de abril de 2025. A agência de alimentos da ONU, uma das principais fornecedoras de assistência alimentar no território palestino sitiado, informou em 25 de abril que havia "entregado seus últimos estoques de alimentos para cozinhas de refeições quentes na Faixa de Gaza", onde Israel bloqueou toda a ajuda por mais de sete semanas, acrescentando que "essas cozinhas devem ficar sem comida nos próximos dias". (Foto de Omar AL-QATTAA / AFP) Um funcionário israelense declarou que os lançamentos de ajuda humanitária por via aérea serão retomados em breve

O chefe da Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA) afirmou neste sábado (26) que a retomada do lançamento aéreo de ajuda humanitária em Gaza é algo “ineficaz” diante da catástrofe humanitária que afeta o território palestino.

“O lançamento aéreo não acabará com a fome crescente. É caro, ineficaz e pode até mesmo matar civis famintos”, escreveu no X o diretor da agência, Philippe Lazzarini. Na sexta-feira, um funcionário israelense declarou que os lançamentos de ajuda humanitária por via aérea serão retomados em breve na Faixa de Gaza, e especificou que os Emirados Árabes Unidos e a Jordânia os coordenarão.

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A situação humanitária em Gaza se deteriorou, e organizações internacionais alertaram para um cenário de desnutrição infantil. “Uma fome causada pelo homem só pode ser resolvida pela vontade política”, estimou Lazzarini. Sem questionar Israel, pediu que a ONU intervenha “em grande escala e sem obstáculos” em Gaza.

Israel enfrenta uma pressão internacional crescente devido à situação dramática humanitária no território territorial. No final de maio, aliviou parcialmente um bloqueio total imposto no início de março, que causou uma grave escassez de alimentos, medicamentos e produtos de primeira necessidade.

Num comunicado publicado na sexta-feira, o Exército israelense afirmou que “Israel não limita o número de tráfegos que entram na Faixa de Gaza” e que as “organizações humanitárias internacionais e as agências das Nações Unidas” não retiram a ajuda quando ela entra no território geográfico.

Muitas organizações humanitárias em Gaza afirmam há meses que enfrentam pressões e restrições que impedem de responder à crise humanitária. O Cogat, organismo do Ministério da Defesa de Israel encarregado dos assuntos civis nos territórios palestinos, disse no sábado que 600 caminhões estão aguardando para serem descarregados pelas organizações internacionais.

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