Óleo no Nordeste afeta turismo, comércio e pesca; moradores temem futuro
O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, apresenta, nesta terça-feira (29), o resultado das ações federais de combate às manchas de óleo nas praias do Nordeste. Procuradores dos nove Estados da região, recorreram ao Tribunal Federal da 5ª Região, nesta segunda-feira (28), para que o governo seja obrigado a acionar o chamado Plano Nacional de Contingência (PNC) para incidentes com óleo.
O procuradores listaram dez pontos para provar que isso ainda não aconteceu e alegam que, para que o plano seja colocado em funcionamento, é preciso que o comitê de suporte às ações seja instalado com um representante de cada estado prejudicado. Ainda segundo o Ministério Público (MP), o plano exige transparência das ações, o que não estaria acontecendo.
O governo garante, no entanto, que a implementação do programa já começou faz tempo. Segundo o Ministério da Defesa, foi instalado, por exemplo, um grupo de acompanhamento das ações, que trabalha em conjunto numa ação integrada com os comandos de Salvador e Recife.
Os procuradores, por sua vez, também reclamam que faltam ferramentas adequadas para proteção de áreas sensíveis e vulneráveis e questionam as explicações do governo de que as boias de contenção não são eficientes para conter o óleo – que seria mais denso que a água e que, por conta disso, não fica na superfície.
Nesse momento, no entanto, a grande preocupação na região é com a chegada do óleo na área de mangue. O guia turístico Vandélcio Santana explica que a maré cheia tem trazido o resíduo de petróleo para cada vez mais perto. “Com esse óleo aqui dentro, a vida não vai conseguir se proliferar, não vai se expandir como sempre aconteceu nessa cadeia alimentar. Então o bioma, tanto da terra, quanto do mar, está aqui. Então isso é um desastre. Esse óleo não pode continuar nas nossas vidas”, lamentou.
Com medo da contaminação, a população sumiu das peixarias. Ninguém está querendo se arriscar. A comerciante Eralda da Conceição sentiu na pele os efeitos da pausa nas vendas. “As vendas diminuíram muito, muito mesmo. Estou abrindo, mas daqui a pouco estou fechando. Por esse motivo as vendas estão poucas mesmo, não estou vendendo nada. Estou abrindo [o comércio] para tentar, mas está devagarzinho”, contou.
Se não tem procura, os pescadores também já começam a passar dificuldades. Segundo a catadora de marisco, Adriana Maria Sales, mesmo sem sinais aparentes de óleo, não adianta tentar trabalhar. “Agora ninguém está vindo mais pescar porque não adianta. Está pegando e só guardando. Não está vendendo. Só quando passar essa agonia, se Deus quiser, e liberar nossa pesca de volta para a gente continuar. Mas até agora é isso: só vir, olhar e deixar para lá. Até passar essa agonia.”
O governo anunciou que vai liberar recursos para os municípios atingidos pelas manchas de óleo e garantir pelo menos mais duas parcelas do seguro defesa para os pescadores da região.
*Com informações da repórter Luciana Verdolin
Assuntos
continue lendo
Mundo
Argentina amplia denúncias de atividades petrolíferas ilegais próximo das Malvinas
Javier Milei indicou que Buenos Aires continuará 'utilizando todos os meios à sua disposição para punir e impedir' tais empresas
- Estreante, conheça a médica Natasha Slhessarenko que disputa governo de MT e realizou o sonho da mãe Sarah Américo · há 8 minutos
- Medalista olímpica, Leila do Vôlei tenta reeleição ao Senado pelo DF Júlia Lara · há 2 semanas
- Renan Santos formaliza pedidos de impeachment contra Moraes e Toffoli, do STF Marcelo Bamonte · há 2 semanas
- Alexandre Kalil, o ex-presidente do Atlético-MG, que foi prefeito de BH e agora quer o governo de MG Sarah Américo · há 2 semanas