Flávio Bolsonaro visitou Vorcaro após primeira prisão do banqueiro
Senador admitiu encontro para encerrar financiamento milionário de filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visitou o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, após o banqueiro ter sido preso pela primeira vez, em novembro de 2025, no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A informação foi noticiada pelo site Metrópoles e depois confirmada pelo próprio parlamentar em comunicado nesta terça-feira (19).
“Eu estive com ele, mais uma vez, quando ele passou a usar monitoramento eletrônico e não poderia sair da cidade de São Paulo. Fui, sim, ao encontro dele para ‘botar um ponto final’ nessa história e dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco”, disse o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Daniel Vorcaro foi preso, pela primeira vez, no dia 17 de novembro do ano passado, durante a primeira fase da Compliance Zero. Os agentes federais investigavam indícios de “fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro” há quase um ano. Eles concluíram que tais títulos tinham sido vendidos a outro banco, o Banco de Brasília (BRB), e que, após fiscalização do BC, foram substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.
O dono do Banco Master foi solto 12 dias depois, após um habeas corpus. No entanto, no dia 4 de março, o banqueiro voltou a ser preso, na terceira etapa da Compliance Zero.
Investimento de ‘Dark Horse’
O investimento ao qual Flávio Bolsonaro se refere envolve a produção de “Dark Horse”, filme que contará a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, com lançamento previsto para 11 de setembro de 2026.
Segundo reportagem publicada pelo site Intercept Brasil, o dono do Banco Master havia se comprometido a repassar US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época) para financiar o longa. Desse montante, ao menos US$ 10 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025.
As mensagens vazadas mostram uma negociação entre Flávio e o banqueiro. Em outubro de 2025, o senador chegou a cobrar Vorcaro, afirmando que a produção estava “no limite” financeiro. Os diálogos também indicam que houve um encontro na casa do dono do Banco Master, em São Paulo, no dia 2 de novembro de 2025 — dias antes de sua primeira prisão ao tentar fugir do país —, que contou com a presença do ator Jim Caviezel e do diretor Cyrus Nowrasteh.
Apesar da repercussão, Flávio Bolsonaro tem defendido publicamente a captação dos recursos. Na sexta-feira (15), durante evento de lançamento da pré-candidatura de Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado, o pré-candidato à Presidência justificou o investimento privado na obra e criticou o uso de verba pública para o que chamou de “propaganda política” de seus adversários.
Como exemplo, citou o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula no Carnaval deste ano. Na mesma ocasião, Flávio atacou o portal Intercept Brasil, classificando a equipe como “suspeita” e acusando o veículo de tentar “interceptar o futuro do país”.
Impacto eleitoral
A divulgação das informações listadas na matéria influenciou na pesquisa mais recente divulgada nesta terça-feira, pela Atlas/Boomberg. De acordo com o levantamento, 64,1% dos brasileiros avaliam que a divulgação das conversas enfraquece a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto – 45,1% dizem que “enfraqueceu muito” e 19% consideram que “enfraqueceu um pouco”.
A pesquisa apontou também que 95,6% das pessoas afirmaram ter conhecimento sobre o vazamento dos áudios entre Flávio e Vorcaro, e 93,9% declararam ter ouvido o áudio.
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