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Sem citar Derrite, diretor da PF diz que crime não pode ser glamourizado nem usado para projeto pessoal

Em depoimento à CPI do Crime Organizado, Andrei Rodrigues afirmou que é preciso 'botar a bola no chão' para não transformar o combate à criminalidade em promoção pessoal ou apelo midiático

Nicolas Robert

Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, durante depoimento na CPI do Crime Organizado
Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, durante depoimento na CPI do Crime Organizado Andressa Anholete / Agência Senado

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, afirmou nesta terça-feira (18), em depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, que o combate à criminalidade não deve ser “glamourizado” nem utilizado para projetos pessoais ou promoção midiática. A declaração foi feita durante a primeira oitiva da comissão, que investiga a expansão de facções criminosas no país.

Rodrigues destacou a necessidade de uma atuação técnica e integrada entre as forças de segurança, mencionando a importância de se adaptar às novas realidades impostas pela tecnologia, como o uso de criptoativos e fintechs por organizações criminosas. “É preciso, primeiro lugar, isso, até para não glamourizar o crime organizado e tratar a organização criminosa como entidades que precisam ser muito respeitadas e supervalorizadas”, disse o diretor-geral.

Ele alertou para os riscos de distorções que levam a “promoções pessoais ou apelo midiático de pessoas que não têm compromisso com o interesse público, com a busca do enfrentamento à criminalidade”. Sem mencionar nomes, a fala de Rodrigues ocorre em um contexto de debates sobre a superexposição de operações policiais.

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Durante a sessão, o diretor da PF também ressaltou a evolução do crime para o ambiente digital, enquanto o Estado, por vezes, permanece em um “momento analógico”. Ele citou uma operação em andamento, realizada em parceria com o Banco Central e o Coaf, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo cerca de R$ 12 bilhões. “Nós precisamos sair daquele momento, né, da economia tangível para hoje, essa economia fluida, essa economia digital”, complementou.

A CPI do Crime Organizado foi instalada após a operação policial no Rio de Janeiro e tem como objetivo aprofundar o diagnóstico sobre o poder das facções, o grau de infiltração nos estados e o impacto das estruturas de lavagem de dinheiro que as financiam. A comissão, presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), tem prazo de 120 dias para concluir os trabalhos.

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