Guerra no Oriente Médio define decisões do FED e do Copom

Conflito é citado como uma das principais incertezas de cenário, pelo impacto que pode ter nos preços de commodities, especialmente o petróleo, e preços de ativos

  • Por Denise Campos de Toledo
  • 18/03/2026 19h26 - Atualizado em 18/03/2026 19h28
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Foto por ATTA KENARE / AFP Fumaça e fogo se elevam do local de ataques aéreos em uma área central da capital iraniana, Teerã, em 6 de março de 2026. Novos ataques abalaram o Irã e o Líbano em 6 de março, enquanto Israel prometia intensificar o conflito para uma nova fase na guerra do Oriente Médio, que se espalhou rapidamente por toda a região e além. Guerra no Oriente Médio chegou ao 19º dia nesta quarta-feira

O Copom e o Federal Reserve confirmaram as expectativas. Nos Estados Unidos, a taxa de juros de referência foi mantida entre 3,5% e 3,75% a.a, na segunda pausa seguida nos cortes. No Brasil, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto para 14,75% ao ano, como já apostava a maior parte do mercado. A decisão confirmou a sinalização da reunião anterior, de início do ciclo de cortes, mas com um corte moderado.

Nos dois casos, a guerra no Oriente Médio é citada como uma das principais incertezas de cenário, pelo impacto que pode ter nos preços de commodities, especialmente o petróleo, e preços de ativos, como as pressões pontuais sobre o dólar, no Brasil. O receio é de um desvio na trajetória prevista para a inflação, de uma desancoragem das expectativas de convergência para a meta. O mercado aqui já elevou a previsão do IPCA deste ano para 4,10%.

Mas o Copom voltou a citar antigas preocupações, como a resiliência da inflação de serviços e a política fiscal doméstica, em que estímulos do governo e dúvidas quanto à evolução das finanças públicas podem interferir nos preços, nos ativos e, como consequência, na própria política monetária.

De qualquer modo, o Comitê julgou apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, como citou no comunicado, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica em patamar contracionista propiciou evidências de desaceleração da atividade econômica.

A decisão de reduzir a taxa básica para 14,75% foi avaliada como compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta em horizonte relevante. Meta de 3%, em um horizonte que vai até 2028. Mas deixou em aberto os futuros passos, vinculando as próximas decisões a uma maior clareza quanto à profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como os efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.

O FED, que sinalizou a possibilidade de mais um corte de 0,25 este ano, admitiu que foi discutida eventual necessidade até de elevação dos juros, a depender da evolução do atual cenário de incertezas. No Brasil, o direcionamento da política monetária também vai depender muito do quanto o atual cenário poderá interferir na trajetória de inflação.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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