Lula promete proteger produtores da Amazônia contra tarifaço e inaugura Centro Policial
Em dois dias seguidos, a Amazônia esteve no centro da agenda presidencial. Primeiro, com a declaração de que nenhum pequeno ou médio produtor será prejudicado pela tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. Depois, com a inauguração, em Manaus, do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia. Dois anúncios distintos, mas que revelam o mesmo dilema: a vulnerabilidade da região diante de pressões externas e da ausência de políticas estruturantes. No campo econômico, a criação de um fundo emergencial e a compra da produção para a merenda escolar são medidas de curto prazo para segurar a renda de quem vive da castanha, do açaí e do mel. Mas continuam sendo soluções paliativas. Grande parte desses produtos ainda é exportada in natura, com baixo valor agregado. Isso significa perder oportunidades de multiplicar por até dez vezes o retorno econômico, caso fossem transformados em derivados como óleos, farinhas, energéticos, cosméticos ou nutracêuticos. A bioeconomia só será uma realidade quando deixar de depender de commodities brutas e passar a investir em industrialização sustentável, emprego local e inserção competitiva no mercado global.
[cta-selector name=”model2″ image1=”https://s.jpimg.com.br/wp-content/plugins/CTA-posts-selector/assets/images/640_3anos-JPNews.jpg” text2=”Siga o canal da Jovem Pan News e receba as principais notícias no seu WhatsApp!” link3=”https://www.whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S” text4=”WhatsApp” icon5=”fa-brands fa-whatsapp” ]
Na área da segurança, a inauguração do Centro Policial em Manaus. Pela primeira vez, estados brasileiros e países vizinhos compartilharão informações em tempo real para enfrentar crimes transnacionais. Narcotráfico, garimpo ilegal e desmatamento não respeitam fronteiras, e exigem resposta articulada. O Plano Amazônia – Segurança e Soberania, financiado com recursos do Fundo Amazônia, mostra que a presença do Estado precisa ser reforçada. Mas a tecnologia só fará diferença se houver capilaridade, chegando às comunidades onde hoje o crime organizado oferece mais alternativas do que o próprio poder público. Economia e segurança se cruzam na Amazônia. Sem agregar valor à produção e sem garantir alternativas sustentáveis, não haverá renda para a população local. Sem presença estatal forte e coordenada, o crime continuará ocupando espaço. Os dois anúncios desta semana são importantes sinais de vontade política, mas precisam sair do terreno das respostas emergenciais para se transformar em estratégia duradoura.
continue lendo
Política
Lula defende discutir mandatos para ministros do STF: ‘Não pode ficar 40 anos no cargo’
A declaração foi feita durante sabatina nesta quinta-feira (10)
- Um mundo de recursos finitos também é um mundo de negócios finitos Patricia Costa · há 3 semanas
- O que Jericoacoara fez contra o plástico (e o Brasil ainda não) Patricia Costa · há 2 meses
- Quando o hóspede vira auditor: reputação digital também é ESG há 3 meses
- Câmara aprova projeto que impede órgãos ambientais de adotarem medidas cautelares Patricia Costa · há 4 meses