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Política

Comissão da Câmara convoca Mauro Vieira para fala sobre risco de ação militar dos EUA

O objetivo é que ele explique a possibilidade levantada pelo governo brasileiro de ações militares dos EUA no Brasil após o país norte-americano classificar o PCC e o CV como terroristas

Bruno Pinheiro

O Ministro Mauro Vieira participa de sessão solene de abertura do Seminário “Diplomacia e Relações Internacionais: Passado, Presente e Futuro”, em comemoração aos 80 anos do Instituto Rio Branco
O Ministro Mauro Vieira participa de sessão solene de abertura do Seminário “Diplomacia e Relações Internacionais: Passado, Presente e Futuro”, em comemoração aos 80 anos do Instituto Rio Branco. Foto: Carlos Cruz/MRE. Carlos Cruz/MRE

A Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (8), a convocação do ministro Mauro Vieira para que ele explique a possibilidade levantada pelo governo brasileiro de ações militares dos EUA no Brasil após o país norte-americano classificar o PCC e o CV como terroristas.

O requerimento foi apresentado pelo deputado federal Evair de Melo (Republicanos-ES). “Causa preocupação que a resposta oficial do Governo concentre grande parte de sua argumentação na defesa abstrata da soberania nacional, sem apresentar ao Parlamento qual é a estratégia efetivamente adotada para enfrentar os impactos concretos e juridicamente mais prováveis dessa medida”, diz um trecho do documento.

Em documento oficial enviado à Câmara no último dia 1º, o Ministério das Relações Exteriores reconhece explicitamente o temor de que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos possa abrir caminho para ações extraterritoriais americanas, inclusive de natureza militar, em território brasileiro.

Assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o texto responde a um Pedido de Informação da Câmara e representa a manifestação mais direta do governo Lula sobre os riscos da medida unilateral anunciada por Washington.

“O Congresso Nacional não questionou a posição política do Governo. Questionou fatos. Perguntou quais reuniões foram realizadas, quais decisões foram tomadas, quais estudos embasaram a atuação diplomática brasileira e quais providências concretas estão sendo implementadas para proteger os interesses nacionais. Essas perguntas permanecem sem resposta”Requerimento do deputado federal Evair de Melo (Republicanos-ES)