CPI da Covid-19: O que os senadores esperam do depoimento de Mayra Pinheiro
Nesta terça-feira, 25, a secretária da Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, será a testemunha ouvida na CPI da Covid-19. O depoimento está marcado para às 9h. Conhecida como “capitã cloroquina”, a servidora poderá ficar em silêncio sempre que for questionada sobre fatos que ocorreram entre os meses de dezembro de 2020 e janeiro de 2021, conforme decidiu o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF). Este intervalo de tempo coincide com o colapso da rede hospitalar e da crise de oxigênio de Manaus, assunto que deve ser o ponto central da oitiva. Além disso, os integrantes da comissão pretendem questioná-la sobre a distribuição de remédios do chamado “kit Covid” e a criação do aplicativo “TrateCov”, lançado oficialmente na capital do Estado em uma cerimônia no dia 11 de janeiro.
A secretária do Ministério da Saúde foi convocada por cinco senadores: o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues, Humberto Costa (PT-PE) e os suplentes Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Rogério Carvalho (PT-SE). Nos requerimentos, os parlamentares afirmam que Mayra Pinheiro se notabilizou como uma defensora do chamado “tratamento precoce” com medicamentos ineficazes para o tratamento do coronavírus. Ela também responde a uma ação de improbidade administrativa, apresentada pelo Ministério Público Federal do Amazonas, que apura se houve omissão do governo federal na crise que atingiu a capital do estado no início de 2021 – como a Jovem Pan mostrou, à época, pacientes internados tiveram de ser “ambuzados” (receber oxigenação de forma manual) em diversas unidades de atendimento, como o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), por exemplo.
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A “capitã cloroquina” também será questionada sobre o desenvolvimento do aplicativo “TrateCov”, iniciativa do Ministério da Saúde que prescrevia medicamentos do chamado “kit Covid” para qualquer paciente, incluindo recém-nascidos e gestantes. Em seu depoimento à CPI, na semana passada, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello afirmou que a ideia para a criação da plataforma partiu de Mayra Pinheiro. “Hoje a gente lança em primeira mão, o estado do Amazonas é o primeiro estado do Brasil que recebe o aplicativo TrateCov”, disse a servidora no dia 11 de janeiro, em Manaus, em evento de lançamento da iniciativa. “Nós estamos oferecendo hoje ao povo brasileiro, aos médicos e enfermeiros que vão ajudar usando esse aplicativo. Vamos agilizar o diagnóstico sem que a gente espere, como o nosso ministro já falou, as tomografias, as ressonâncias, os testes de RT-PCR que às vezes demoram alguns dias até obtermos os resultados”, explicou. Aos senadores, Pazuello também disse que determinou que a ferramenta fosse retirada do ar ao saber que teria ocorrido um “roubo” do sistema, supostamente “hackeado, puxado por um cidadão”.
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