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Política

Vorcaro diz que delação envolveria ‘pessoas do núcleo do atual governo’

Dono do Master afirmou ao gabinete de Mendonça que pretendia relatar casos em que, segundo ele, houve violações de limites legais e de moralidade

Nícolas Robert e Matheus Alleoni

Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro
Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro Reprodução

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou, em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que uma eventual colaboração premiada teria como foco denúncias de pessoas do “núcleo do atual governo”. Segundo ele, os fatos envolveriam relações que estabeleceu para se proteger de ataques e episódios em que, na avaliação dele, foram ultrapassadas “linhas de moralidade” e “linhas de ilicitude”.

A declaração foi dada em resposta a uma pergunta do Ministério Público sobre os fatos que Vorcaro pretendia apresentar em uma colaboração. O empresário afirmou que queria relatar o que considera ser a versão verdadeira dos acontecimentos.

“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo.”Daniel Vorcaro

“Nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar”, completou o dono do Banco Master.

Ele não detalhou, nesse trecho do depoimento, quem seriam as pessoas citadas nem quais seriam os casos aos quais se referia.

Tentativas de colaboração

Vorcaro disse que tenta apresentar sua versão dos fatos há meses. Segundo o empresário, houve tentativas de reuniões com a Polícia Federal (PF) que não avançaram. Ele afirmou que seus advogados não foram recebidos ou, quando foram, os encontros ocorreram apenas de maneira protocolar.

“Pedi diversas reuniões, não foram atendidas, não atenderam os advogados, quando atenderam os advogados, era simplesmente de maneira protocolar”Daniel Vorcaro

O banqueiro também fez uma distinção entre a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da PF. Segundo ele, integrantes da Procuradoria demonstraram disposição para ouvir suas informações, enquanto a PF teria adotado uma postura diferente.

Vorcaro afirmou ainda que tinha medo de tentar um novo acordo por causa das pessoas envolvidas no caso. Entre os nomes mencionados por ele está o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Segundo o empresário, Andrei tinha uma relação anterior com o Master e participou de eventos ligados à instituição. Vorcaro afirmou que essa relação estaria entre os motivos de sua preocupação em apresentar determinadas informações durante uma colaboração.

“O advogado pontuou aqui, e eu vou dar um exemplo de situações que aconteceram, como, por exemplo, o próprio diretor‐geral (da Polícia Federal), o Andrei, que viajou para eventos comigo, com namorada, teve ingressos, teve uma relação pretérita a esse caso, especificamente”Daniel Vorcaro

Vorcaro diz que quer apresentar sua versão

Durante o depoimento, Vorcaro afirmou que reconhece ter cometido erros, mas negou que a versão divulgada sobre sua atuação corresponda ao que, segundo ele, realmente aconteceu.

“Eu não sou perfeito, eu errei, eu errei mesmo, eu quero falar no que eu errei”, disse Vorcaro.

O dono do Banco Master também disse que possui provas e fatos que pretende apresentar. Segundo ele, não teria conseguido relatar tudo durante a audiência por receio e pelas circunstâncias em que se encontra.

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