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Política

Inquérito mostra que PM tentou ouvir motorista de Haddad e não teve resposta; veja print

Relatório obtido pela Jovem Pan mostra contradições e mensagens sem retorno após primeiro contato com o condutor

João Vitor Revedilho

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No depoimento prestado à Polícia Civil, o motorista afirmou que estava dentro do carro, com as luzes internas acesas e o vidro do motorista abaixado, quando ouviu uma voz dizendo “vaza”. Ele disse não saber qual policial havia pronunciado a frase, mas afirmou ter certeza de que a voz vinha dos agentes. RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A Polícia Militar tentou diversas vezes voltar a ouvir o motorista que acompanhava Fernando Haddad no episódio envolvendo uma suposta perseguição contra ele no Planalto Paulista, em São Paulo (SP), mas não conseguiu novo contato. A Jovem Pan teve acesso com exclusividade aos prints das tentativas de contato direto.

As mensagens e ligações foram feitas tanto pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, como pelo tenente-coronel responsável pela apuração preliminar na Polícia Militar. Nico tentou ao menos cinco contatos telefônicos, enquanto mensagens e telefonemas feitos pela PM não foram retornados pelo motorista da Haddad (leia mais abaixo).

De acordo com o termo de declarações do coordenador do Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública, Nico conversou com o motorista no dia 12 de agosto para colher informações e repassá-las para a averiguação da Polícia Militar.

Por volta das 15h daquele dia, os dois fizeram o primeiro contato telefônico. Na conversa, o motorista relatou que teria sido perseguido e que uma viatura havia jogado luz sobre o carro. Ele também afirmou que havia entrado no Hotel Pullman.

A PM enviou policiais ao hotel para tentar localizar imagens que confirmassem a entrada do Ford Fusion. Os registros, porém, não foram encontrados. Às 17h, o coordenador voltou a ligar para o motorista e questionou a ausência das imagens. Foi então que o condutor apresentou uma segunda versão e afirmou que não havia entrado no hotel, mas apenas passado em frente ao estabelecimento. Ele, então, apontou a Rua Joinville como o local da abordagem, dizendo que os policiais pararam a viatura, desembarcaram e o encararam.

À noite, por volta das 20h30, ele voltou a falar com Nico Gonçalves. Na mensagem, é possível ver que Alessandro, motorista de Haddad, afirma “entrada da garagem no subsolo”, em referência a entrada do hotel. No dia seguinte, Nico liga para o motorista cinco vezes entre 12h e 12h30, mas nenhuma das ligações foram atendidas.

As tentativas do secretário aconteceram ao mesmo tempo em que o tenente-coronel que comandava o inquérito interno também buscava contato com o Alessandro, mas sem sucesso. Outras ligações foram feitas no dia 13 de agosto e uma mensagem enviada pelo WhatsApp às 17h04, sem resposta.

Após a abertura da investigação preliminar, a PM também tentou novamente ouvir o motorista em um depoimento formal, mas não conseguiu. Por isso, utilizou as informações que ele havia apresentado anteriormente por telefone. Ele prestou depoimento apenas para a Polícia Civil no dia 17 de agosto. O relatório afirma que a ausência de novas respostas impediu o esclarecimento direto das divergências identificadas durante a investigação.

Frase ‘vaza’ não aparece

No depoimento prestado à Polícia Civil, o motorista afirmou que estava dentro do carro, com as luzes internas acesas e o vidro do motorista abaixado, quando ouviu uma voz dizendo “vaza”. Ele disse não saber qual policial havia pronunciado a frase, mas afirmou ter certeza de que a voz vinha dos agentes.

A informação contradiz o que o próprio motorista disse à Polícia Militar, segundo o tenente-coronel responsável pela apuração. Ao ser questionado posteriormente sobre o episódio, o policial afirmou que o motorista não havia mencionado qualquer contato verbal ou frase como “vaza, trouxa” durante os primeiros relatos.

O relatório também registra que o motorista não havia mencionado que os policiais portavam fuzis ou que isso teria causado intimidação. De acordo com fontes da PM, a diferença entre os relatos não permitiu concluir, por si só, que o motorista tenha mentido.

A Jovem Pan entrou em contato com a equipe de comunicação do candidato do PT, Fernando Haddad, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

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