JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Máquinas na Pan | 11h30 - 12h00
Política

Leia a íntegra do contrato de R$ 108 mi entre Master e escritório de mulher de Moraes

Escritório foi contratado por três anos para atuar também em processos judiciais, Ministério Público, Receita Federal, Cade e projetos de lei de interesse do banco

Matheus Alleoni e Bruno Pinheiro

Ministro do STF Alexandre de Moraes, ao lado da esposa Viviane Barci, quando chegou para sabatina no Senado que assegurou seu cargo
Ministro do STF Alexandre de Moraes, ao lado da esposa Viviane Barci HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO CONTEÚDO

A íntegra do contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes veio a público nesta sexta-feira (11), após a retirada do sigilo de documentos das investigações envolvendo a instituição financeira. Até então, trechos e informações sobre o acordo já haviam sido revelados, mas o instrumento completo não estava disponível publicamente.

O documento, datado de 16 de janeiro de 2024, prevê uma contratação de três anos e o pagamento de 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos, o equivalente a R$ 108 milhões ao longo da vigência. Considerados os tributos previstos no próprio contrato, cada pagamento teria valor bruto de R$ 3,646 milhões.

A contratação abrangia uma atuação ampla do escritório. Entre os serviços previstos estão a implantação e o acompanhamento de programa de compliance, além de “consultoria estratégica e jurídica” em procedimentos e inquéritos policiais nas Polícias Federal e Civis, processos administrativos perante Banco Central, Receita Federal e Cade e ações judiciais em todas as instâncias do Poder Judiciário.

O acordo determinava ainda a organização de cinco núcleos para atuação perante Judiciário, Ministério Público, polícia judiciária, órgãos do Executivo e Legislativo. Neste último caso, o contrato previa o acompanhamento de projetos de lei de interesse do Master.

O alcance dos serviços também era estendido aos sócios e acionistas controladores do banco.

Entre as cláusulas agora conhecidas está uma que obrigava as partes a manter sigilo sobre informações, documentos, materiais e dados obtidos em razão do contrato, inclusive após seu encerramento.

O instrumento também previa que, caso o Master decidisse romper unilateralmente o contrato por conveniência, todo o valor restante do pró-labore seria devido ao escritório, com pagamento em até 15 dias.

As despesas com passagens aéreas, hospedagem, refeições, taxas e custas judiciais não estavam incluídas nos honorários e deveriam ser reembolsadas separadamente pelo banco.

Leia a íntegra

O contrato identifica a Barci de Moraes Sociedade de Advogados como contratada e o Banco Master S.A. como contratante.

I – OBJETO

O escritório foi contratado para atuar na implantação e acompanhamento do programa de integridade do Master, prestar consultoria jurídica e estratégica em inquéritos e procedimentos policiais e administrativos e representar o banco em processos judiciais.

O contrato previa cinco núcleos de atuação perante Judiciário, Ministério Público, polícia, Banco Central, Receita Federal, PGFN, Cade e Legislativo. Também detalhava atividades de compliance, due diligence, identificação de riscos, criação de códigos de ética, canais de denúncia e controles internos.

II – ATIVIDADES DA CONTRATANTE

O Master deveria fornecer ao escritório documentos, comunicações oficiais, intimações e demais elementos necessários à atuação jurídica. As partes também se comprometiam a manter sigilo sobre o material recebido.

III – PRAZO E HONORÁRIOS

O contrato teria duração de três anos, com pagamento de 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos. O valor bruto mensal previsto era de R$ 3.646.529,77.

IV – RESCISÃO

Se o Master rescindisse unilateralmente o acordo, o contrato determinava o pagamento integral do pró-labore restante. O atraso superior a 90 dias também poderia provocar a rescisão e a aplicação da mesma regra.

V – DISPOSIÇÕES FINAIS

O contrato elegeu o Foro Central de São Paulo para eventuais disputas e é datado de 16 de janeiro de 2024.

Sigilo do caso Master

A íntegra integra o conjunto de documentos que veio a público após a retirada do sigilo de procedimentos relacionados às investigações do Banco Master.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou que o material fosse disponibilizado aos demais ministros. André Mendonça, relator das investigações, cumpriu a determinação e liberou os documentos.

A retirada do sigilo ocorre em meio à crise aberta no Supremo após relatórios da PF sobre Daniel Vorcaro atingirem integrantes da Corte. Mendonça chegou a afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Flávio Dino determinou a volta dos dois, e Fachin posteriormente suspendeu as decisões, concentrou na Presidência do STF a análise dos processos relacionados ao caso e convocou os ministros para discutir as investigações.

continue lendo