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Política

PGR pede que caso sobre Lulinha saia do STF e seja encaminhado para a 1ª instância

Procuradoria alega que investigação não envolve autoridades com foro no STF; investigação foi aberta no Supremo após pedido da PF e aval do próprio órgão

Janaína Camelo e Nícolas Robert

lulinha
Luís Cláudio Lula da Silva, o Lulinha Reprodução / Flickr

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta quinta-feira (20) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o caso envolvendo o filho do presidente Lula (PT), Luís Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, seja retirado da Corte e encaminhado para a primeira instância da Justiça. Segundo a PGR, a investigação não envolve autoridades com foro por prerrogativa de função no STF.

O pedido ocorre depois de a investigação ter sido instaurada no âmbito do STF. A Polícia Federal (PF) havia acionado a Corte para que o caso tramitasse no Supremo, e a PGR deu aval para a abertura do inquérito nessa instância.

A manifestação da Procuradoria chamou a atenção no gabinete do ministro André Mendonça, responsável pelo caso. A avaliação é de que o pedido para levar a investigação à primeira instância causa estranheza porque a própria PF havia solicitado que ela fosse conduzida no STF e a PGR havia concordado com a abertura do inquérito na Corte.

Agora, a Procuradoria sustenta que não há, no caso, autoridade com foro no Supremo que justifique a permanência da investigação no tribunal. Por isso, pede que o procedimento seja encaminhado à primeira instância.

O pedido ainda precisa ser analisado por Mendonça, que deverá decidir sobre a permanência do caso no STF ou o envio da investigação para a Justiça de primeira instância.

André Mendonça
Ministro do STF André Mendonça

Pedido da defesa sobre sigilo

Além do pedido da PGR, Mendonça também deve analisar um pedido da defesa de Lulinha para derrubar o sigilo dos inquéritos. O ministro, porém, não deve retirar o sigilo neste momento.

A estratégia da defesa de Lulinha é dar transparência ao caso e permitir que ele preste depoimento o quanto antes. A expectativa é que o filho de Lula seja ouvido no decorrer da investigação.

A decisão de Mendonça sobre o sigilo deve considerar as novas pendências relacionadas ao caso, incluindo esse pedido da PGR para que a investigação deixe o STF. Por isso, a tendência é que o ministro mantenha, por enquanto, o sigilo dos autos.

Lulinha é alvo de 3 inquéritos no STF

Lulinha é alvo de três inquéritos da PF no STF, que apuram suspeitas de tráfico de influência, corrupção e possíveis irregularidades relacionadas à sua atuação junto a órgãos e programas do governo federal.

O primeiro inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça em 30 de julho. A investigação apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência relacionadas à autorização para a comercialização de cannabis medicinal em programas ligados ao Ministério da Saúde. Lulinha está entre os alvos.

No dia seguinte, 31 de julho, Mendonça autorizou a abertura de um segundo inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência junto ao governo federal. Segundo a PF, foram identificados indícios de possíveis irregularidades na atuação de Lulinha junto à Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev) e a outros órgãos do governo em favor do empresário Cleber Ribas de Oliveira.

Cleber Ribas de Oliveira é sócio da empresa 3STRUCTURE IT e, segundo a investigação, teria relação com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

O terceiro inquérito foi autorizado pelo ministro Flávio Dino no último dia 3 e também apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha. A decisão determinou ainda a abertura de uma investigação sobre possíveis vazamentos ilegais de dados sigilosos de investigações, incluindo procedimentos nos quais o filho do presidente Lula é alvo.

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