Presidente da Anvisa rebate Bolsonaro, nega corrupção na agência e cobra retratação
O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, divulgou uma nota neste sábado, 8, em que rebateu as declarações do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre o órgão. O mandatário questionou qual seria o interesse da Anvisa por trás da aprovação da vacinação de crianças contra a Covid-19. Em resposta, Torres falou sobre sua trajetória como médico, se defendeu, negou qualquer indício de irregularidades na agência e cobrou uma retratação do presidente da República. “Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa, aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar”, declarou. “Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate”, completou.
Leia a íntegra da nota de Antônio Barra Torres:
“Em relação ao recente questionamento do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, quanto à vacinação de crianças de 05 a 11 anos, no qual pergunta “Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí?”, o Diretor Presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, responde:
Senhor Presidente, como Oficial General da Marinha do Brasil, servi ao meu país por 32 anos. Pautei minha vida pessoal em austeridade e honra. Honra à minha família que, com dificuldades de todo o tipo, permitiram que eu tivesse acesso à melhor educação possível, para o único filho de uma auxiliar de enfermagem e um ferroviário.
Como médico, Senhor Presidente, procurei manter a razão à frente do sentimento. Mas sofri a cada perda, lamentei cada fracasso, e fiz questão de ser eu mesmo, o portador das piores notícias, quando a morte tomou de mim um paciente. Como cristão, Senhor Presidente, busquei cumprir os mandamentos, mesmo tendo eu abraçado a carreira das armas. Nunca levantei falso testemunho.
Vou morrer sem conhecer riqueza Senhor Presidente. Mas vou morrer digno. Nunca me apropriei do que não fosse meu e nem pretendo fazer isso, à frente da Anvisa. Prezo muito os valores morais que meus pais praticaram e que pelo exemplo deles eu pude somar ao meu caráter.
Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, Senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar.
Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate.
Estamos combatendo o mesmo inimigo e ainda há muita guerra pela frente.
Rever uma fala ou um ato errado não diminuirá o senhor em nada. Muito pelo contrário.
Antonio Barra Torres
Diretor Presidente – Anvisa
Contra-Almirante RM1 Médico
Marinha do Brasil”
continue lendo
Política
De governador de SP a vice de Lula, Alckmin mudou de partido para chegar ao Planalto
Médico de formação, político de Pindamonhangaba foi governador por quatro mandatos e disputou a Presidência duas vezes antes de integrar a chapa de Lula em 2022
- Candidatos são obrigados a participar de debate? Entenda o que diz a lei Júlia Mano · há 7 horas
- Nem Bolsonaro confiou em Tarcísio para lançá-lo ao Planalto, diz Márcio França Jovem Pan · há 10 horas
- Lula faz mais mal ao Brasil do que a pandemia, diz Flávio Bolsonaro Beatriz Manfredini · há 12 horas
- TRE-RJ nega a candidato à Câmara uso do sobrenome ‘Bolsonaro’ na urna Estadão Conteúdo · há 12 horas