PSD, MDB e União largam na frente por ministérios no Lula 4, mas PT mira outras siglas no Centrão
O PSD, o MDB e o União Brasil largaram na frente nas negociações para integrar a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu quarto mandato, que começa em janeiro de 2027. Segundo apurou a Jovem Pan, as três legendas são as mais bem posicionadas entre os partidos do Centrão para conquistar ou manter ministérios na Esplanada. O petista, porém, já abriu conversas também com o Progressistas (PP) e o Republicanos para ampliar a sustentação política do próximo governo.
As negociações fazem parte da estratégia de Lula para construir maioria no Congresso Nacional após a vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições. O presidente foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, mas terá de lidar com uma Câmara dos Deputados fragmentada e um Senado em que o PL ampliou sua representação.
A expectativa é que PSD, MDB e União Brasil tenham espaço garantido na composição ministerial. A distribuição poderá envolver tanto a manutenção de pastas atualmente ocupadas por nomes ligados às legendas quanto a entrega de novos ministérios.
O movimento representa uma reorganização das alianças políticas após as eleições. Durante a campanha, Lula enfrentou dificuldades para atrair formalmente os partidos de centro, que têm divisões internas e lideranças próximas tanto do governo quanto da oposição. Com a reeleição, as negociações passaram a se concentrar na formação da base parlamentar para os próximos quatro anos.
Lula busca apoio em Congresso com PL fortalecido
A composição do Congresso eleito em outubro ajuda a explicar a ofensiva do presidente sobre o Centrão. O PL terá a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, enquanto a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, contará com 88 parlamentares.
A Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP, terá 87 cadeiras. O PSD elegeu 43 deputados, o Republicanos terá 41 e o MDB, 36.
No Senado, o PL terá 28 das 81 cadeiras, enquanto o PT contará com nove. O MDB terá oito senadores, União Brasil e PP terão seis cada, e PSD e Republicanos ficarão com cinco representantes cada.
Os números mostram que Lula precisará negociar com partidos que não estiveram formalmente ao seu lado na disputa presidencial para aprovar projetos e propostas de emenda à Constituição (PECs). A composição dos ministérios é um dos instrumentos utilizados pelo Planalto para construir essa sustentação parlamentar.
O PSD, comandado nacionalmente por Gilberto Kassab, e o MDB, presidido por Baleia Rossi, já participaram do governo Lula ao longo do terceiro mandato. O União Brasil também ocupou espaços na Esplanada, embora tenha enfrentado uma crise com o Planalto após a decisão da federação com o PP de se afastar do governo em 2025.
Na ocasião, a permanência de integrantes ligados às siglas no Executivo provocou divergências internas. Mesmo diante das resistências, Lula manteve canais de diálogo com setores dos partidos favoráveis à continuidade da relação com o governo.
Republicanos e PP também entram nas negociações
Embora PSD, MDB e União Brasil estejam à frente nas articulações, Lula também iniciou conversas com Progressistas e Republicanos. A aproximação com as duas legendas busca ampliar as possibilidades de apoio no Congresso e reduzir a dependência do governo de acordos pontuais para aprovar suas propostas.
O Republicanos tem uma posição estratégica nas negociações por ser o partido do presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), que trabalha pela reeleição ao comando da Casa em fevereiro de 2027.
Já o PP enfrenta divisões internas sobre o posicionamento político no próximo mandato. Conforme mostrou a Jovem Pan, uma ala da legenda, composta por senadores próximos ao bolsonarismo, articula apoio à candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado, apesar de a federação com o União Brasil ter anunciado apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
As divergências mostram que uma eventual participação das legendas no governo não significa necessariamente apoio integral de suas bancadas às propostas do Planalto.
Reaproximação com Motta e Alcolumbre
As articulações para o novo governo também passam pelos presidentes da Câmara e do Senado. No dia seguinte à vitória eleitoral, Lula recebeu Hugo Motta e Davi Alcolumbre no Palácio da Alvorada para discutir a organização de seu quarto mandato.
O encontro marcou uma nova etapa nas conversas com os dois parlamentares, que buscam permanecer à frente das respectivas Casas.
No caso de Alcolumbre, a aproximação ocorre após um período de desgaste com Lula provocado pela indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). O nome escolhido pelo presidente foi rejeitado pelo Senado em abril, em uma derrota que agravou a relação entre o Planalto e o presidente da Casa.
Como revelou a Jovem Pan, Lula pretende apresentar novamente a indicação de Messias em 2027 e deverá contar, desta vez, com o apoio de Alcolumbre, que busca a reeleição ao comando do Senado com o apoio do PT.
A recomposição dessas relações integra o cenário de negociações para o próximo mandato. Além dos ministérios, o governo precisará definir sua atuação nas disputas pelas presidências das duas Casas, nas comissões parlamentares e nas votações de suas prioridades legislativas.
A formação da nova base, porém, ainda está em aberto. Apesar do avanço das conversas com o Centrão, os acordos não garantem automaticamente o alinhamento de todos os deputados e senadores das legendas, especialmente diante do fortalecimento da oposição no Congresso eleito para 2027.
continue lendo
Mundo
Lideranças de esquerda no exterior criam canais digitais inspirados no ‘Exército do Lula’
Grupos na Argentina, França e Espanha já somam mais de 270 mil seguidores
- Presidente do TCE de Mato Grosso sacou R$ 15 milhões na boca do caixa, diz PF Estadão Conteúdo · há 8 minutos
- Em live, Flávio fala em usar Congresso como ‘trincheira’ e diz que saiu do país ‘pelo Brasil’ Jovem Pan · há 12 horas
- Após fuga de Flávio, Carlos posta vídeo de Bolsonaro falando em ‘combater nazifascismo’ Estadão Conteúdo · há 13 horas
- Alcolumbre pauta para próxima terça-feira votação da PEC da Segurança Pública Jovem Pan · há 15 horas