‘Se eu disputar uma eleição limpa, entrego a faixa para qualquer um’, diz Bolsonaro sobre voto impresso
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a falar sobre o voto impresso nas eleições de 2022, dizendo que, caso dispute eleições “limpas”, entregaria a faixa presidencial para “qualquer um”. “Eu entrego a faixa para qualquer um, se eu disputar a eleição, né? Se eu disputar, eu entrego a faixa para qualquer um. Uma eleição limpa”, afirmou o presidente durante conversa com os apoiadores na saída do Palácio do Alvorada nesta segunda-feira, 19. Além disso, ele falou que a ausência do voto impresso poderia configurar uma fraude. “Sem voto auditável, as mesmas pessoas que tiraram o Lula da cadeia e o tornaram elegível vão contar os votos dentro do TSE de forma secreta. O pessoal diz que eu estou ofendendo o ministro Barroso. Não estou ofendendo, estou mostrando a realidade. […] Eleições não auditáveis, isso não é eleição, é fraude”, concluiu Bolsonaro.
Na última sexta-feira, 16, o presidente da comissão que analisa a PEC do voto impresso, Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), encerrou subitamente a sessão e adiou para agosto a votação do relatório do deputado Filipe Barros (PSL-PR). A reunião foi convocada após uma articulação capitaneada pelo deputado Hildo Rocha (MDB-MA), que afirma que não há tempo hábil para implantar a mudança do sistema eleitoral antes das eleições de 2022. Martins disse que Barros “manifestou o desejo de fazer modificações no texto”, uma de suas prerrogativas. A medida irritou parlamentares presentes, que classificaram a decisão como “molecagem” e chamaram Martins de “picareta”.
Em entrevista à Jovem Pan no início de julho, o presidente da comissão, Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), admitiu que o relatório deve ser rejeitado pelos deputados. “Havia um ambiente na comissão que apontava um sentido diferente, ou seja, não haveria muita dificuldade de aprovação do relatório. Ocorre que houve uma movimentação externa, encabeçada pelo presidente do TSE [ministro Luis Roberto Barroso] e os partidos fecharam questão, trocaram os membros da comissão. Isso embaralhou o jogo. O que era pacífico virou uma dificuldade. Hoje, a tendência é de não aprovação”, disse. O chamado “voto impresso auditável” é rejeitado, inclusive, por partidos da base do governo, como PP, PL e Republicanos.
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