Centrão: o que é, qual influência exerce na política e por que é tão polêmico

Estima-se que o bloco seja formado por, pelo menos, 200 deputados de partidos de centro e centro-direita; para o presidente Jair Bolsonaro, a aliança com o grupo permitirá a aprovação de projetos importantes, como o novo Bolsa Família

  • Por Lívia Zanolini
  • 09/08/2021 15h27 - Atualizado em 09/08/2021 15h48
Ricardo Chaves / Estadão ConteúdoDeputados e senadores durante sessão da Assembleia Nacional Constituinte, em 1988; na época, o Centrão fazia referência ao grupo de parlamentares com perfil mais conservador que representava maioria no colegiado

O termo ‘centrão’ surgiu em 1987 em meio às discussões para elaboração da nova Constituição após 21 anos de regime militar. E, na época, fazia referência ao grupo de parlamentares com perfil mais conservador que representava maioria na Assembleia Constituinte. Mas foi por volta de 2014, após articulações do ex-deputado Eduardo Cunha, na época líder do então PMDB, que o Centrão assumiu a configuração atual e voltou a ganhar visibilidade. O bloco é apontado como um dos principais responsáveis pelo impeachment de Dilma Rousseff. Atualmente, estima-se que o Centrão seja formado por, pelo menos, 200 deputados de partidos de centro e centro-direita, como PP, PSD, PL, PTB e Republicanos. Ao reunir mais de ⅓  da Câmara, o grupo exerce grande influência nas decisões políticas. A dificuldade em se precisar o número exato de membros se dá justamente pelo fato de ser um bloco informal, ou seja, não reconhecido oficialmente.

Desde o seu surgimento, o Centrão é criticado pela ‘política do toma lá dá cá’, que consiste no apoio a demandas do Planalto em troca de cargos, verbas e privilégios. Já para o presidente da Câmara, Arthur Lira, o Centrão é uma força moderadora, que garante governabilidade e previsibilidade institucional. A nomeação do presidente nacional do PP e um dos líderes do bloco, senador Ciro Nogueira, como ministro da Casa Civil, consolida a coalizão entre o presidente Jair Bolsonaro e o Centrão. O mandatário, por sua vez, justifica que a aliança é a única forma de garantir a aprovação de projetos importantes, como as reformas e o novo Bolsa Família.

Para o comentarista político da Jovem Pan, jornalista José Maria Trindade, a expectativa é que o acordo melhore a governabilidade. “O presidente chegou à conclusão que sem o apoio no Congresso Nacional ele fica exposto ao impeachment, fica exposto à aprovação de projetos que vão atrapalhar o governo, a economia do país, chamadas pautas-bomba, e também impedido de cumprir promessas de campanha. E para cumpri-las, precisa do Congresso, precisa de maioria. E o Centrão dá justamente essa maioria. O único porém é que cobra. Se não houver uma contrapartida, ou seja, o cumprimento de promessas para o Centrão, aí a coisa desanda. O Centrão está no coração político do governo, mas não está com a chave do cofre nas mãos”. Tá Explicado?

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