Augusto Nunes: ‘Por interesses diplomáticos, Bolsonaro não deve comprar briga judicial de Trump’
Um dia depois depois de o Colégio Eleitoral confirmar a vitória do democrata Joe Biden na eleição presidencial dos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro se manifestou parabenizando o candidato pela primeira vez. Na saudação, que foi publicada pelo Ministério das Relações Exteriores, Bolsonaro disse esperar que os Estados Unidos continuem sendo “a terra dos livres e o lar dos corajosos” e que os dois governos continuem trabalhando em conjunto. Segundo Augusto Nunes, comentarista do programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, a atitude de Bolsonaro foi certa. “Ele agiu bem ao começar a normalizar as relações com os EUA, sobretudo se não pretende manter relações tão íntimas com a China. Você tem que ter relações com algum desses dois países. E como estão tensas as coisas com a China, fez muito bem em começar o processo de reaproximação, que a essa altura para mim é necessário”, afirmou.
Biden já havia sido parabenizado pela maioria dos presidentes no início de novembro, quando sua vitória foi decretada pelo número de delegados. Como a eleição norte-americana é indireta, o eleitor, quando dá seu voto na urna, faz com que vá para o chamado delegado, que é um representante do estado. Vence quem conseguir 270 desses votos. Ontem, esses delegados se reuniram para confirmar o que foi decidido nas urnas. Donald Trump continua insistindo que as eleições foram fraudadas, e processos seguem na Justiça para invalidar a vitória de Biden. No entanto, para Augusto, o Brasil não deve comprar essa briga. “Agora já é hora de o Brasil adotar um pragmatismo. Se todos os países do G-20 já mandaram mensagens ao presidente eleito Biden, não adianta continuar brigando com base nos processos judiciais, isso é um problema do Trump. O Brasil não deve entrar nessas, não pode comprar essa briga em nome dos interesses diplomáticos e mundiais”, disse o comentarista.
Além disso, Augusto ressaltou que o destino geopolítico do Brasil é “conviver amistosamente com o presidente dos EUA”, e que isso só não foi feito “nos 13 anos do governo petista”. “Você não pode ficar rompido com o presidente de um país que sempre foi nosso parceiro comercial, fosse quem fosse o presidente. Bolsonaro estaria exagerando se entrasse na briga judicial. Ele apoiou publicamente Trump, duvidou da seriedade e legalidade das eleições, mas não faz sentido continuar brigando, esse é um problema liquidado internacionalmente. Sempre ficará uma dúvida sobre a sobriedade das eleições, eu estranhei algumas viradas, não duvido que tenham acontecido fraudes, mas isso deixou de ser problema do Brasil, até porque não temos nenhum peso decisório em cima disso”, finalizou.
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Eliseu Caetano
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