Witzel revive UPPs como receita para segurança pública no Rio
O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), pretende retomar as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), marca do ex-governador Sérgio Cabral na área da segurança pública.
O governo diz que as novas UPPs e a reestruturação das que ainda existem – todas em comunidades carentes – devem focar ações sociais, além do policiamento ostensivo que lhe é característico. Lançadas às vésperas de 2009, quando o Rio era anunciado como sede da Olimpíada e o Cristo Redentor “decolava” na capa da revista The Economist, as UPPs foram a medida mais marcante e midiática de Cabral. Hoje, ele está preso, condenado a 267 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, principalmente.
As UPPs entraram em crise em 2013, depois que o pedreiro Amarildo de Souza desapareceu após ser preso por policiais da unidade da Rocinha, em São Conrado, zona sul. “Cadê o Amarildo” virou palavra de ordem das manifestações de rua no Rio, naquele ano. Desde então, o projeto minguou, e criminosos voltaram a circular ostensivamente armados em comunidades, como no Complexo do Alemão. Com o tempo, algumas UPPs foram fechadas, por inviabilidade e inutilidade.
No governo Witzel, as três primeiras novas unidades serão implantadas em Angra dos Reis, talvez ainda em janeiro. Conhecida por belas praias e ilhas, a cidade tem índices preocupantes de violência e tornou-se objeto de disputa entre quadrilhas.
Além de novas unidades, estão previstas reestruturações em locais como a Rocinha, maior favela do país com cerca de 70 mil moradores. As novidades passam por instalar câmeras nos uniformes dos agentes, de modo que as imagens sejam transmitidas para uma sala de comando da polícia. Outras UPPs estratégicas, como a da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na zona oeste, também podem receber investimentos.
A proposta de voltar a investir nas UPPs surge em ano de eleições municipais. Eleito na onda conservadora de 2018, com um discurso assumidamente de direita, Witzel tem como desafio criar capilaridade para o seu partido, o PSC, que não elegeu nenhum prefeito no estado do Rio em 2016.
O projeto para este ano é lançar o máximo possível de candidaturas próprias nos municípios – não só para tentar conquistar essas prefeituras, como também para eleger vereadores em um contexto em que as coligações estão proibidas para o cargo proporcional. Há, atualmente, uma ideia de fundir a legenda ao PSL, ex-partido de Bolsonaro. A legenda detém a maior fatia do Fundo Partidário e daria uma estrutura inédita para Witzel e suas ambições.
Na disputa pela prefeitura do Rio, ainda não se sabe qual será a postura do governador. Publicamente, ele costuma afirmar que defende candidatura própria do PSC, mas não cita nomes, e se esquiva quando é perguntado sobre um já ventilado apoio ao ex-prefeito Eduardo Paes (DEM).
“Tenho que respeitar a decisão do meu partido”, disse, em um encontro com a imprensa em dezembro do ano passado. Hoje na base do governo, o DEM tem como figura de maior relevância no âmbito nacional o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, cuja interlocução com o governador é boa.
*Com Estadão Conteúdo
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