Economista de Boulos critica a política econômica de Dilma e defende o fortalecimento de empresas estatais
Marco Antonio Rocha, economista da equipe de Guilherme Boulos do PSOL, participou do Jornal Jovem Pan nesta quinta-feira (27). Em entrevista a Denise Campos de Toledo, destacou que o programa elaborado junto ao presidenciável rejeita as privatizações de estatais – pelo contrário, defende o fortalecimento delas para a promoção do desenvolvimento. Além disso, criticou medidas dos governos do PT, especialmente o de Dilma Rousseff, e explicou como pretende diminuir a corrupção no setor público.
“Não vamos privatizar. Até porque a ineficiência não está nas empresas públicas. A Petrobras não é ineficiente. A Eletrobras não é ineficiente. Temos pontos de ineficiência concentrados no Estado. É nisso que temos que mirar”, disse.
Como exemplo, citou um projeto lançado em 2006 em Portugal chamado Simplex em que todos os governos, independente de orientação político-partidária, se comprometem a seguir determinadas regras. Entre elas estava a desburocratização como política de Estado e a simplificação de processos, incluindo a eliminação da exigência de algumas licenças.
“Eu realmente olho com desconfiança programas que falam em ‘choque de gestão’. Que falam que vão resolver o problema em um ano. Não vão. Viemos de uma longa tradição. Citei Portugal por isso. Porque cada governo se comprometeu com aquele pacote. É um processo de longo prazo que vai gerar aumento da eficiência do Estado em alguns anos. Geneticamente o Estado não é menos eficiente que o setor público”, explicou.
“E a privatização não necessariamente resulta em melhoria de serviço. Quando resulta, pode ser acompanhado do encarecimento. Esse processo não pode ser ‘anti-consumidor’. Quanto ao Estado, não podemos eliminar, mas fortalecer em áreas que são imprescindíveis em uma sociedade moderna para a política social e a garantia de bem estar”, completou.
Corrupção
Questionado se o fortalecimento de empresas públicas – como ele propõe – não seria um facilitador da corrupção, o economista negou. De acordo com ele, a corrupção não pode ser analisada com apenas um ponto de partida.
“Tem a ‘pequena corrupção’ da pequena empresa. Isso a gente resolve modernizando a estrutura. Desburocratização, redução de licenças, alvarás. Reduzir esse espaço para que ela reduza. E tem a grande corrupção. Essa envolve o grande capital e o Estado e tem que ser resolvida com aumento da fiscalização. Temos que criar mecanismos de controle público sobre os processos, tornar mais transparente e convocar a sociedade para participar”, contou. “Também é importante fortalecer carreiras de Estado, reduzindo o poder de nomeação do Executivo e dando preferência, sempre que possível, a cargos de carreira”.
“Acho engraçada a discussão de ‘mais Estado’ e ‘menos Estado’. Do ponto de vista internacional, essa discussão já está vencida. Não é mais uma questão. O que discutimos agora é como organizar o Estado para promover o desenvolvimento econômico. Em nenhum lugar do mundo se discute menos Estado em ciência, tecnologia, ensino superior. O Estado deve ser presente nessas áreas também como promoção de suas economias”, concluiu.
Política econômica do PT
Por fim, perguntado sobre a ligação de Boulos com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o entrevistado garantiu que a candidatura é “independente” e afirmou que o fato de eles serem contra o andamento do processo que resultou na prisão do petista não os impede de criticar a maneira com que o partido conduziu o país nos últimos anos.
“A candidatura do PSOL é independente e crítica da forma com que se conduziu a política no país. Mas isso é o primeiro ponto. O segundo é tomar uma posição contrária à forma com que foi conduzido o processo do Lula. Na melhor das hipóteses existem fatos complicados e problemas nesse processo. Isso não é uma defesa geral de maneira nenhuma do PT. Criticamos a política econômica de Dilma sobretudo a partir da gestão Levy [Joaquim Levy, nomeado ministro da Fazenda no segundo mandato da ex-presidente] – que foi desastrosa”.
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