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Política

Eduardo assinou contrato como produtor de ‘Dark Horse’ e tinha controle financeiro, diz site

O site também divulgou diálogos entre o empresário Thiago Miranda, sócio do Portal Leo Dias, o ex-deputado e o banqueiro Daniel Vorcaro

Júlia Lara

PGR pede abertura de inquérito para investigar atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA contra autoridades brasileiras
PGR pede abertura de inquérito para investigar atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA contra autoridades brasileiras WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tinha responsabilidades e poder sobre a gestão financeira do filme que conta a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, chamado “Dark Horse” [“Azarão”, em tradução livre], conforme um contrato assinado pelo próprio ex-deputado federal com data de novembro de 2023. As informações foram publicadas pelo site Intercept Brasil nesta sexta-feira (15).

Além do contrato, o site também divulgou diálogos de Eduardo com o empresário Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, que serviu como intermediário das conversas entre o filho do ex-presidente e o deputado federal Mário Frias (PL-SP) com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A mensagens foram trocadas no final de março de 2025,  mesmo mês em que Eduardo anunciou que iria se licenciar do mandato para ficar nos EUA e buscar as “devidas sanções aos violadores de direitos humanos”.

Nas conversas, Eduardo diz que o “ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo”. Visto que, segundo Eduardo, se a empresa brasileira enviasse aos EUA e não tivesse “aquele grande orçamento” seria “problemático” e por isso seria “necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos”.

Em seguida, o deputado cassado explica como seria a melhor maneira de enviar o dinheiro. “Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”.

Outro documento de fevereiro de 2024 mostra ainda que Eduardo é qualificado como financiador do filme e autoriza o uso de recursos financeiros que ele investir no projeto. Porém, não há confirmação que o documento tenha sido assinado.

Eduardo negou ter recebido dinheiro

Eduardo Bolsonaro negou na quinta-feira (14) ter recebido recursos enviados por Daniel Vorcaro, por meio de um fundo controlado por seus aliados e sediado no Texas, nos Estados Unidos. Em publicação em suas redes sociais, o parlamentar cassado afirmou que a “história é tosca” e trata-se de uma “tentativa de assassinato de reputação”.

Na publicação, Eduardo compartilhou uma notícia do jornal Folha de S. Paulo, na qual informava que a Polícia Federal (PF) suspeita de que recursos ligados ao banqueiro foram usados para custear as despesas do ex-deputado nos Estados Unidos.

Segundo reportagem do site Intercept Brasil, que revelou troca de mensagens entre o senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e Vorcaro, o dono do Master fez repasse ao Havengate Development Fund LP por meio da Entre Investigações e Participações. O fundo é ligado à produção do filme “Dark Horse”.

De acordo com a reportagem do Intercept Brasil, o agente legal do Havengate Development Fund LP é o escritório de advocacia de Paulo Calixtoadvogado de Eduardo.

Em sua publicação, Eduardo disse que o escritório de Calixto cuida da “gestão burocrática, financeira e legal dos recursos” do projeto cinematográfico. O ex-parlamentar relatou ainda ter apresentado o advogado ao deputado federal e produtor executivo do filme, Mario Frias (PL-SP).