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Política

Caiado diz que Nikolas Ferreira ‘entubou’ após defender hidroxicloroquina para Covid-19

Candidato ao Planalto disse que, no processo democrático, "temos que lidar com quem não confia na ciência"

Misael Mainetti

Deputado Nikolas Ferreira em discurso na Câmara dos Deputados
Deputado Nikolas Ferreira em discurso na Câmara dos Deputados Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou nesta terça-feira (18) que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) “entubou” depois de defender o uso da hidroxicloroquina durante a pandemia de Covid-19. Caiado afirmou que o deputado teria deixado de se manifestar posteriormente sobre o tema.

“Ele ficou quieto depois. Entubou”, disse Caiado.

A declaração foi feita durante a apresentação do programa nacional de saúde da campanha presidencial de Caiado. O plano foi elaborado com a colaboração do ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta, que participou da construção das propostas para a área.

Caiado também afirmou que, em um processo democrático, é necessário conviver com pessoas que não confiam na ciência, e enfatizou que o prejuízo que isso traz é enorme.

A discussão remete ao período mais crítico da pandemia, quando a hidroxicloroquina foi defendida por setores políticos como alternativa para o tratamento da Covid-19. Estudos posteriores não demonstraram eficácia do medicamento contra a doença, e órgãos públicos e entidades científicas passaram a desaconselhar seu uso para essa finalidade.

Documentos oficiais registram que a hidroxicloroquina chegou a ser promovida no Brasil como parte do chamado “tratamento precoce”, apesar da ausência de comprovação científica de eficácia contra a Covid-19.

Entenda o que Nikolas Ferreira postou

A declaração de Caiado faz referência a uma postagem recente de Nikolas Ferreira sobre o depoimento de Anthony Fauci ao Senado dos Estados Unidos. Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado afirmou que documentos e registros atribuídos ao médico americano revelariam contradições entre suas conversas privadas e as orientações defendidas publicamente durante a pandemia.

Nikolas também retomou a defesa da hidroxicloroquina, afirmando que Fauci teria mudado de posição sobre o medicamento depois que Donald Trump passou a defendê-lo e que a substância poderia ter salvado milhões de pessoas.

A interpretação, porém, é contestada por especialistas e por reportagens de checagem. Registros divulgados sobre Fauci indicam que ele questionava a eficácia da hidroxicloroquina ainda no início da pandemia, enquanto grandes estudos clínicos realizados posteriormente não encontraram benefício do medicamento no tratamento ou na prevenção da Covid-19.