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Eliseu Caetano

Energia nuclear vai para abastecer megacentro de dados de US$ 15 bilhões nos EUA

Oracle planeja utilizar até 250 megawatts de eletricidade de uma usina nuclear em Wisconsin para alimentar complexo de inteligência artificial desenvolvido em parceria com a OpenAI

Eliseu Caetano

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala à imprensa sobre a construção em andamento de um heliponto e outros projetos no Gramado Sul da Casa Branca, em Washington, D.C., em 19 de agosto de 2026
O presidente dos EUA, Donald Trump, fala à imprensa sobre a construção em andamento de um heliponto e outros projetos no Gramado Sul da Casa Branca, em Washington, D.C., em 19 de agosto de 2026. (Foto de Jim WATSON / AFP) JIM WATSON / AFP

A energia nuclear vai ajudar a abastecer um novo megacentro de processamento de dados nos Estados Unidos. A Oracle anunciou um acordo para adquirir até 250 megawatts de eletricidade produzida por uma usina nuclear no estado de Wisconsin, no Meio-Oeste americano. A energia será destinada a um complexo tecnológico de US$ 15 bilhões, desenvolvido para atender à crescente demanda por inteligência artificial.

O projeto, chamado Project Lighthouse, será instalado na cidade de Port Washington, às margens do Lago Michigan, e envolve a Oracle, a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, e a Vantage Data Centers.

A iniciativa foi anunciada em outubro e representa mais um movimento de aproximação entre o setor de tecnologia e a indústria nuclear americana.

Como será o abastecimento nuclear?

A eletricidade virá da usina nuclear de Point Beach, localizada na cidade de Two Rivers, também em Wisconsin. A instalação possui dois reatores e pertence à NextEra Energy, uma das maiores companhias de energia dos Estados Unidos.

O acordo prevê que a Oracle assuma os custos de aquisição de uma quantidade de eletricidade equivalente a 125 a 250 megawatts da produção nuclear.

O Project Lighthouse terá uma demanda total estimada em 1.300 megawatts, ou 1,3 gigawatt. Isso significa que o fornecimento nuclear previsto poderá corresponder a aproximadamente 10% a 20% da capacidade elétrica necessária para o funcionamento do empreendimento.

O restante da demanda será atendido por outras fontes de energia. Segundo a Oracle, mais da metade da capacidade energética destinada ao complexo deverá vir de fontes que não emitem diretamente dióxido de carbono durante a geração, incluindo energia nuclear, solar e eólica.

A decisão de utilizar energia nuclear está relacionada ao crescimento acelerado dos data centers nos Estados Unidos.Essas instalações concentram milhares de servidores responsáveis pelo armazenamento e processamento de informações utilizadas em serviços digitais, sistemas empresariais e ferramentas de inteligência artificial.

O funcionamento exige grandes quantidades de eletricidade, tanto para alimentar os equipamentos quanto para manter os sistemas de refrigeração que evitam o superaquecimento dos servidores. Diferentemente de outras atividades industriais, os data centers precisam operar continuamente, durante as 24 horas do dia.

Nesse cenário, a energia nuclear oferece uma vantagem: a capacidade de produzir eletricidade de forma constante, independentemente das condições climáticas.

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