EUA apresentam acusação contra Maduro e Cilia Flores por tortura de cidadãos americanos
A Justiça dos Estados Unidos apresentou nesta quinta-feira (08) uma nova acusação criminal contra Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, por suposta participação em uma conspiração para torturar opositores políticos e cidadãos americanos mantidos em prisões da Venezuela.
A atualização da denúncia foi apresentada à Justiça Federal de Manhattan, em Nova York, e amplia as acusações que já pesavam contra o casal, anteriormente denunciado por crimes relacionados ao narcotráfico.
Segundo os promotores federais americanos, Maduro e Flores teriam participado de um esquema de repressão política que incluía detenções arbitrárias, violência física e tortura de pessoas consideradas adversárias do governo venezuelano.
O documento descreve métodos de tortura como choques elétricos, espancamentos, asfixia e ameaças contra familiares dos detidos. Entre as vítimas mencionadas estão cidadãos dos Estados Unidos que permaneceram presos durante o governo Maduro.
A investigação também aponta a atuação da Direção-Geral de Contrainteligência Militar da Venezuela (DGCIM), órgão de inteligência militar associado às operações de repressão descritas na acusação.
Nicolás Maduro, de 63 anos, e Cilia Flores, de 69, foram capturados por militares americanos em Caracas, em 3 de janeiro de 2026, durante uma operação conduzida pelos Estados Unidos em território venezuelano. Após a captura, os dois foram transferidos para Nova York, onde permanecem detidos no Centro Metropolitano de Detenção do Brooklyn.
O julgamento de Maduro e Cilia Flores está previsto para 1º de junho de 2027, na Justiça Federal de Nova York.
Indenização de US$ 314 milhões
A nova denúncia surge após outra decisão da Justiça dos Estados Unidos envolvendo americanos que afirmaram ter sido vítimas de tortura na Venezuela.
Em julho deste ano, um juiz federal de Miami determinou o pagamento de aproximadamente US$ 314 milhões em indenizações a três cidadãos americanos: Jerrel Kenemore, Jason Saad e Edgar Marval.
Os três denunciaram ter sido presos e submetidos a tortura enquanto estavam sob custódia das autoridades venezuelanas.
Eles foram libertados em dezembro de 2023, durante uma negociação diplomática entre o governo do então presidente Joe Biden e Caracas. O acordo também envolveu a libertação de Alex Saab, empresário e aliado de Maduro que estava detido nos Estados Unidos.
A decisão de indenização foi proferida à revelia, em um processo civil no qual Maduro e outros acusados não apresentaram defesa.
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Eliseu Caetano
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